
O Brasil deve encerrar o ano de 2025 com o menor índice de desigualdade de renda de sua história recente. Segundo dados compilados pelo portal Brasil em Mapas, a projeção para o Índice de Gini nacional é de 0,497 — consolidando uma trajetória de queda que atravessa cinco décadas. Em 1975, o índice beirava 0,62, atingindo seu pico histórico no ano 2000 (0,64), antes de iniciar uma descida consistente impulsionada por políticas sociais e transformações econômicas.
O Índice de Gini mede a concentração de renda em uma escala de 0 a 1: quanto mais próximo de 1, mais desigual é a região. Embora o progresso nacional seja evidente, o cenário interno revela abismos geográficos e estruturais. O Sul permanece como a região mais equilibrada (~0,461), enquanto o Nordeste (0,502) ainda enfrenta a maior desigualdade estrutural do país.
No topo do ranking da desigualdade, o Distrito Federal apresenta o índice mais elevado do país (0,545). A discrepância em Brasília é frequentemente atribuída à coexistência de uma elite do funcionalismo público e setores de alta renda com vastas áreas de vulnerabilidade social em regiões administrativas periféricas.
No extremo oposto, Santa Catarina (0,435) se mantém como a unidade federativa com a melhor distribuição de renda, seguida de perto por Rondônia e Mato Grosso. Especialistas apontam que a diversificação econômica e a força do setor agroindustrial e cooperativista nestes estados contribuem para uma base salarial mais homogênea.
A redução da desigualdade acelerou significativamente a partir de 2005 (0,57) e manteve ritmo constante até 2015 (0,52). Após um soluço causado pela pandemia em 2021, o país retomou a tendência de melhora.
Para 2026, a expectativa do mercado e de analistas políticos é que novas medidas fiscais, como a ampliação da isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil, possam impactar positivamente o cálculo, reduzindo ainda mais a distância entre as bases e o topo da pirâmide social brasileira. Contudo, o desafio permanece em transformar a melhora estatística em qualidade de vida perceptível para a população mais pobre, especialmente em estados como Pernambuco e Roraima, que figuram entre os mais desiguais.
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