
Os dados finais do Censo 2022, detalhados pelo IBGE no final de 2025, trazem um retrato fundamental da diversidade linguística do Brasil. Segundo o levantamento, 29,2% da população indígena com mais de 2 anos de idade — o que representa cerca de 475 mil pessoas — fala alguma língua indígena no cotidiano. O dado reforça a importância das Terras Indígenas (TIs) para a preservação cultural: dentro desses territórios, o percentual de falantes salta para 63,4%.
O estudo também joga luz sobre o fenômeno do bilinguismo. Embora a resistência das línguas nativas seja forte, o português é a língua predominante nos domicílios para 86,3% da população indígena total. Entre aqueles que falam línguas tradicionais, 55,2% também utilizam o português dentro de casa, evidenciando uma integração cultural que não anula a identidade originária.
A divulgação, que coincide com as celebrações recentes do Dia dos Povos Indígenas (19 de abril), mostra que a preservação da língua está diretamente ligada à posse da terra e ao isolamento relativo de certas comunidades. No entanto, o avanço do português como língua franca é visível até mesmo nos contextos mais tradicionais, funcionando como ferramenta de comunicação interétnica e com a sociedade não indígena.
O Brasil possui uma das maiores diversidades linguísticas do mundo, com cerca de 170 línguas indígenas vivas. Especialistas alertam que, apesar dos números expressivos de falantes em algumas etnias, muitas línguas são consideradas em risco de extinção, dependendo de políticas públicas de educação bilíngue e fomento cultural para sobreviverem às próximas gerações. O Censo funciona, portanto, como uma ferramenta crítica para direcionar essas ações de salvaguarda.
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