
O cenário religioso brasileiro apresentou uma mudança significativa na última década. Dados do Censo Demográfico 2022, divulgados pelo IBGE, revelam que o número de brasileiros que se declaram praticantes de religiões de matriz africana (Umbanda e Candomblé) triplicou em relação ao levantamento de 2010. O grupo, que representava 0,3% da população, saltou para 1,05%, somando agora um contingente de 1,8 milhão de pessoas.
Apesar de a Bahia ser frequentemente associada ao imaginário dessas tradições, o ranking nacional é liderado pelo Rio Grande do Sul, onde 3,19% da população se declara adepta. O top 5 é completado por Rio de Janeiro (2,58%), São Paulo (1,47%), Bahia (1,00%) e o Distrito Federal (0,85%). Especialistas apontam que o crescimento pode estar atrelado a uma maior liberdade de declaração e ao combate ao estigma, embora o número absoluto ainda seja pequeno se comparado à hegemonia cristã.
Um dos dados mais comentados do novo Censo é a composição por cor de pele entre os adeptos. Diferente do que o senso comum sugere, a maioria dos praticantes de Umbanda e Candomblé no Brasil se declara branca (42,9%). Os pardos somam 33,2% e os pretos representam 23,2% do total.
Nas redes sociais, esse recorte gerou debates intensos. Muitos internautas destacaram que, enquanto as religiões de matriz africana ganham espaço entre a classe média urbana e pessoas brancas, a população negra e parda — especialmente nas periferias — tem migrado massivamente para as igrejas pentecostais. Além disso, houve discussões sobre o termo "matriz africana", com críticos argumentando que muitas dessas práticas, como a Umbanda, são sínteses criadas em solo brasileiro (sincretismo), enquanto outros defendem que o fundamento permanece na ancestralidade vinda do continente africano.
A divulgação dos dados reacendeu a polêmica sobre a prática religiosa na própria África. Comentários críticos pontuam que o cristianismo e o islamismo são as religiões predominantes no continente africano hoje, o que tornaria as religiões de matriz africana uma preservação — ou reinvenção — específica da diáspora nas Américas.
Independentemente das controvérsias teológicas ou históricas, o IBGE reforça que o aumento estatístico reflete um Brasil que começa a se sentir mais à vontade para declarar fés que, por séculos, foram marginalizadas ou perseguidas. Para o Distrito Federal, o índice de 0,85% mantém a capital em posição de destaque, refletindo a diversidade de Brasília, que abriga centenas de terreiros e comunidades tradicionais espalhadas por suas Regiões Administrativas.
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IBGE / Censo 2022 / Religião / Umbanda / Candomblé / Matriz Africana