Domingo, 23 de Agosto de 2026
19°C 32°C
Brasília, DF
Publicidade

Religiões de matriz africana triplicam no Brasil, revela Censo

Adeptos da Umbanda e do Candomblé saltam para 1,8 milhão; Rio Grande do Sul lidera ranking e dados mostram maioria de praticantes brancos

Por: Gutemberg Silva Fonte: IBGE / Poder360
26/04/2026 às 23h37
Religiões de matriz africana triplicam no Brasil, revela Censo

O cenário religioso brasileiro apresentou uma mudança significativa na última década. Dados do Censo Demográfico 2022, divulgados pelo IBGE, revelam que o número de brasileiros que se declaram praticantes de religiões de matriz africana (Umbanda e Candomblé) triplicou em relação ao levantamento de 2010. O grupo, que representava 0,3% da população, saltou para 1,05%, somando agora um contingente de 1,8 milhão de pessoas.

Apesar de a Bahia ser frequentemente associada ao imaginário dessas tradições, o ranking nacional é liderado pelo Rio Grande do Sul, onde 3,19% da população se declara adepta. O top 5 é completado por Rio de Janeiro (2,58%), São Paulo (1,47%), Bahia (1,00%) e o Distrito Federal (0,85%). Especialistas apontam que o crescimento pode estar atrelado a uma maior liberdade de declaração e ao combate ao estigma, embora o número absoluto ainda seja pequeno se comparado à hegemonia cristã.

Perfil étnico-racial surpreende

Um dos dados mais comentados do novo Censo é a composição por cor de pele entre os adeptos. Diferente do que o senso comum sugere, a maioria dos praticantes de Umbanda e Candomblé no Brasil se declara branca (42,9%). Os pardos somam 33,2% e os pretos representam 23,2% do total.

Nas redes sociais, esse recorte gerou debates intensos. Muitos internautas destacaram que, enquanto as religiões de matriz africana ganham espaço entre a classe média urbana e pessoas brancas, a população negra e parda — especialmente nas periferias — tem migrado massivamente para as igrejas pentecostais. Além disso, houve discussões sobre o termo "matriz africana", com críticos argumentando que muitas dessas práticas, como a Umbanda, são sínteses criadas em solo brasileiro (sincretismo), enquanto outros defendem que o fundamento permanece na ancestralidade vinda do continente africano.

Debates sobre ancestralidade e fé

A divulgação dos dados reacendeu a polêmica sobre a prática religiosa na própria África. Comentários críticos pontuam que o cristianismo e o islamismo são as religiões predominantes no continente africano hoje, o que tornaria as religiões de matriz africana uma preservação — ou reinvenção — específica da diáspora nas Américas.

Independentemente das controvérsias teológicas ou históricas, o IBGE reforça que o aumento estatístico reflete um Brasil que começa a se sentir mais à vontade para declarar fés que, por séculos, foram marginalizadas ou perseguidas. Para o Distrito Federal, o índice de 0,85% mantém a capital em posição de destaque, refletindo a diversidade de Brasília, que abriga centenas de terreiros e comunidades tradicionais espalhadas por suas Regiões Administrativas.

-----------

 IBGE / Censo 2022 / Religião / Umbanda / Candomblé / Matriz Africana 

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários
Brasília, DF
27°
Tempo nublado
Mín. 19° Máx. 32°
26° Sensação
2.06 km/h Vento
32% Umidade
0% (0mm) Chance chuva
06h24 Nascer do sol
18h05 Pôr do sol
Segunda
31° 21°
Terça
32° 21°
Quarta
32° 22°
Quinta
34° 22°
Sexta
34° 21°
Publicidade
Publicidade
Publicidade
Economia
Dólar
R$ 5,14 -0,03%
Euro
R$ 6,00 -0,01%
Peso Argentino
R$ 0,00 +0,00%
Bitcoin
R$ 422,220,08 -0,50%
Ibovespa
171,031,73 pts 1.85%
Publicidade
Publicidade
Enquete
Nenhuma enquete cadastrada
Publicidade
Lenium - Criar site de notícias