
O parque de refino do Brasil está trabalhando em ritmo acelerado para garantir o abastecimento nacional e expandir a competitividade do país no mercado global. Em teleconferência com investidores, a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, revelou que as refinarias da estatal operaram acima de sua capacidade nominal recentemente. O chamado Fator de Utilização Total (FUT) atingiu picos expressivos de 103% ao longo dos meses de abril e maio.
Essa marca histórica reflete uma mudança de postura comercial e operacional da companhia. Operar acima dos 100% não significa sobrecarregar as estruturas de forma insegura, mas sim aplicar engenharia de ponta para otimizar gargalos logísticos e operacionais. A estratégia conta com o aval da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), que liberou o processamento de volumes adicionais após rigorosas vistorias técnicas e comprovações de segurança.
Para sustentar um patamar tão agressivo de produção sem comprometer a integridade das plantas, a Petrobras reestruturou seu calendário de ativos. A companhia vem realizando aportes robustos em programas de confiabilidade e manutenção preventiva, antecipando desgastes e corrigindo falhas antes que elas gerem paradas não programadas nas unidades de destilação e craqueamento.
Esse arranjo técnico permite mitigar a vulnerabilidade do mercado interno diante das oscilações de preços internacionais e gargalos de frete marítimo. Ao processar mais óleo cru em solo nacional, a estatal converte o petróleo cru em derivados de maior valor agregado, como óleo diesel, gasolina e QAV (querosene de aviação), reduzindo sensivelmente a necessidade de importação desses produtos acabados.
O teto histórico de utilização sinaliza uma visão de crescimento agressivo por parte da atual gestão. Além de consolidar o atendimento aos distribuidores brasileiros, a Petrobras visa abrir excedentes para aumentar o volume de exportações de derivados de petróleo para a América Latina e outras regiões estratégicas.
Especialistas do setor apontam que manter o refino acima de 100% por longos períodos exige precisão cirúrgica na cadeia de suprimentos — desde a chegada do óleo do pré-sal até o escoamento por dutos e terminais aquaviários. A manutenção desse desempenho nos próximos trimestres será crucial para medir a eficiência de longo prazo da infraestrutura logística da maior empresa do país.
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