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Desigualdades e informalidade privam jovens de trabalho digno na África Ocidental

Relatório da OIT aponta que rápido crescimento demográfico e forte disparidade de gênero barram o acesso de milhões de trabalhadores ao emprego estruturado

Por: Gutemberg Silva Fonte: Organização Internacional do Trabalho (OIT) / ONU News
29/05/2026 às 10h26
Desigualdades e informalidade privam jovens de trabalho digno na África Ocidental

Os jovens que residem nos países integrantes da União Económica e Monetária da África Ocidental (Uemoa) enfrentam barreiras estruturais severas para acessar postos de trabalho dignificados. De acordo com uma avaliação recente emitida pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), o mercado laboral da região é marcado por uma informalidade generalizada, baixa produtividade na agricultura e profundas desigualdades sociais. Para agravar o cenário, o rápido crescimento demográfico local exerce uma pressão contínua sobre as vagas existentes, transformando a ocupação da juventude em uma prioridade central de desenvolvimento econômico.

Embora algumas nações da África Ocidental tenham registrado períodos de crescimento econômico robusto e uma elevação no emprego assalariado nos últimos anos, o mercado de trabalho ainda é amplamente dominado pela atividade agrícola de baixa subsistência e pelo trabalho autônomo por conta própria.

O abismo das taxas de ocupação regional

Os indicadores coletados pela agência da ONU revelam uma heterogeneidade acentuada na proporção de emprego em relação à população jovem (na faixa etária de 15 a 29 anos) entre os países membros da Uemoa com base no ano de 2022:

  • Togo: Apresentava a menor relação emprego-população da região, com apenas 44,5% dos jovens ocupados;

  • Níger: Registrava o patamar mais elevado de absorção, atingindo a marca de 79,7%;

  • Senegal: Exibia a menor taxa de inserção especificamente para o público de mulheres jovens, com apenas 22,5% de ocupação feminina;

  • Níger (Feminino): Liderava também no recorte de gênero, com 67,5% das jovens inseridas em alguma atividade.

Mulheres enfrentam a pior face da exclusão

O relatório joga luz sobre o drama das disparidades de gênero, evidenciando que as mulheres jovens enfrentam os maiores obstáculos para ingressar no mercado formal e sofrem de forma mais intensa com a informalidade. O cenário é medido através do índice de jovens Neet (termo em inglês para designar aqueles que estão sem emprego, educação ou qualquer tipo de formação profissional).

As taxas de mulheres na condição Neet são desproporcionalmente maiores do que as dos homens em toda a região. No Benim, na Guiné-Bissau e no Togo, o índice feminino é 50% superior ao masculino. A situação dobra de gravidade em locais como Burkina Fasso, Costa do Marfim, Níger e Senegal, onde as taxas das mulheres são mais do que o dobro das registradas pelos homens. No Mali, o cenário atinge o extremo, sendo mais de três vezes superior.

A OIT aponta que a raiz histórica e social para essa disparidade gritante decorre do envolvimento desigual das jovens nas responsabilidades de cuidado familiar doméstico. A ausência de redes de apoio força as mulheres a assumirem de forma exclusiva o cuidado com os filhos, os afazeres da casa e o amparo a parentes doentes, impedindo a qualificação e a busca por vagas. Para romper essas barreiras, a agência internacional defende o fortalecimento urgente da análise de dados locais para orientar políticas públicas que gerem inclusão sustentável.

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  África Ocidental / OIT / Emprego Jovem / Informalidade / Desigualdade de Gênero / Uemoa  

 

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