
O Brasil deu um passo inédito em sua trajetória educacional e de direitos sociais. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou o Projeto de Lei nº 6.132/2025, oficializando a criação da Universidade Federal Indígena (UNIND), a primeira instituição federal de ensino superior do país desenhada especificamente para os povos originários. A cerimônia, realizada no Palácio do Planalto, reuniu lideranças indígenas, ministros e parlamentares, consolidando uma demanda histórica do movimento por reconhecimento educacional e epistemológico.
De autoria do próprio governo federal, a nova instituição encerra um ciclo legislativo que teve sua aprovação concluída pelo Congresso Nacional no início de maio de 2026. O ato é apresentado pelo poder público como um marco civilizatório de reparação a séculos de segregação e subalternização impostas às comunidades tradicionais dentro das estruturas acadêmicas convencionais.
A UNIND será instalada na estrutura da antiga Universidade dos Correios, em Brasília. O planejamento do campus foi projetado com os seguintes parâmetros institucionais:
Capacidade de atendimento: A estrutura física e pedagógica comporta o recebimento de até 2.800 alunos.
Corpo docente: O quadro acadêmico será constituído por 366 profissionais.
Agilidade na transição: Durante a solenidade, o presidente Lula cobrou celeridade na adequação do espaço físico para que a celebração de recepção dos primeiros estudantes ingressantes ocorra no menor prazo possível.
Para o ministro dos Povos Indígenas, Luiz Eloy Terena, a criação da universidade é o ápice de uma trajetória de resistência coletiva. O ministro situou o projeto como o "aldeamento" da universidade ocidental, invertendo a lógica histórica que colocava o conhecimento acadêmico como superior. “Será o local propício para a produção de conhecimento, que irá resultar na defesa dos direitos indígenas, no constante aperfeiçoamento da política pública para os povos indígenas e na consolidação da autoridade epistemológica indígena”, asseverou Terena.
Diferente de modelos tradicionais elaborados de forma verticalizada, o projeto da UNIND foi construído a partir das bases. Segundo o Fórum Nacional de Educação Escolar Indígena, a proposta passou pelo crivo de mais de 20 seminários regionais em todas as regiões do país, contando com a participação ativa de professores, estudantes, lideranças e especialistas.
A deputada federal Sônia Guajajara (PSOL-SP), ex-ministra da pasta, destacou que o ecossistema de ensino, pesquisa e extensão valorizará línguas ancestrais e práticas que colocam a relação simbiótica entre o ser humano e a natureza no centro do saber. A instituição iniciará as atividades com dez cursos focados em demandas emergenciais das aldeias, distribuídos nas seguintes áreas estratégicas:
Formação de professores;
Saúde coletiva e indígena;
Gestão territorial e ambiental.
Rita Potiguara, representante do Fórum Nacional, sintetizou o espírito da nova instituição ao lembrar que os povos originários dominam há milênios ciências, filosofias, tecnologias, sistemas agrícolas e formas próprias de compreender o mundo. A perspectiva do governo e das lideranças parceiras é de que, após a consolidação da sede na capital federal, a UNIND expanda suas atividades no futuro com a criação de novos campi descentralizados e espalhados por diferentes regiões do território brasileiro.
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