
Uma complexa e perigosa engenharia criminosa voltada ao mercado clandestino de derivados de petróleo foi desmantelada pelas forças de segurança do Distrito Federal. A 19ª Delegacia de Polícia (Ceilândia Norte) prendeu em flagrante três homens que montaram uma falsa oficina mecânica às margens da BR-070, em Ceilândia, com o único objetivo de perfurar um oleoduto da Petrobras e furtar combustível em larga escala. A estrutura do crime foi estrategicamente posicionada: os suspeitos alugaram um ponto comercial situado a apenas 5 metros de distância da tubulação subterrânea da estatal.
Para não levantar suspeitas da vizinhança ou do proprietário do lote, os criminosos fecharam um contrato de locação no valor de R$ 1,2 mil mensais e mantinham os pagamentos rigorosamente em dia. Ao dono do imóvel, a farsa contada era de que o galpão abrigaria uma oficina mecânica. Contudo, ao longo de três meses, a rotina do grupo limitava-se a visitas noturnas, de duas a três vezes por semana, ocasiões em que realizavam o trabalho silencioso de escavação e a posterior sucção do produto. De acordo com os cálculos do delegado Fernando Fernandes, chefe da 19ª DP, somente na última semana o trio conseguiu subtrair entre 90 mil e 100 mil litros de combustível.
A Polícia Civil suspeita que o flagrante revela apenas a ponta do iceberg de um esquema econômico muito maior e estruturado. O foco dos investigadores agora se volta para a rede de receptação do material inflamável.
O andamento dos trabalhos policiais baseia-se nos seguintes detalhes técnicos do bando:
Mentor intelectual: Dos três detidos, um deles é reincidente e já havia sido preso exatamente pelo mesmo crime de furto de combustível há dois anos, em um perímetro próximo ao mesmo oleoduto;
Divisão de tarefas: O cérebro da operação possuía o conhecimento técnico e industrial necessário para fazer a derivação da tubulação ("trepanação") sem causar uma quebra imediata de pressão no sistema, enquanto os outros dois comparsas realizavam o trabalho braçal de escavação;
Logística e receptação: A principal linha de apuração indica que o combustível roubado estava sendo revendido. A delegacia apura denúncias que apontam para a conivência e participação ativa de empresas transportadoras e postos de combustíveis locais na lavagem do produto.
A audácia da perfuração clandestina quase terminou em tragédia humanitária e ambiental. Diante do vazamento de gases e do risco iminente de uma explosão em cadeia na região marginal da rodovia, equipes da Defesa Civil do DF foram acionadas ao local e interditaram emergencialmente pelo menos quatro imóveis residenciais vizinhos, orientando os moradores a deixarem suas casas às pressas.
Em nota técnica oficial de posicionamento, a Transpetro — subsidiária de transporte da Petrobras — informou que está colaborando de forma irrestrita com os órgãos de segurança e enalteceu o trabalho cirúrgico desempenhado pela 19ª DP. A companhia destacou que é vítima desse tipo de ataque e que sua prioridade absoluta em ocorrências dessa natureza é a salvaguarda de vidas humanas e a contenção de danos ambientais. A Transpetro tranquilizou a população ao garantir que os reparos operacionais e os protocolos de contingência foram ativados com sucesso, descartando qualquer risco de desabastecimento ou impacto no fornecimento regular de combustíveis para o Distrito Federal e Entorno.
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