
Solbrain foi uma série com produção e visual muito caprichado por parte da Toei, que paralelamente produzia Jetman com recursos um tanto inferiores. As duas séries foram um grande sucesso e deram sobrevida às suas duas franquias, provando que o ano de 1991 foi um bálsamo para o gênero, que também teve a boa série cômica Thutmose e o ótimo filme Godzilla vs. King Ghidorah, exibido no Brasil pelo SBT e lançado em VHS.
Transmitida no Brasil numa época que os conteúdos japoneses voltaram a ter destaque depois de algum tempo em estado letárgico, Solbrain também figurou no programa JapAction nos finais da tarde da Manchete em 1996, fazendo parceria com National Kid nas sextas-feiras. Uma parceria um tanto insólita, para dizer o mínimo – o que havia de mais arcaico e de mais moderno, juntos. Flutuou na programação da emissora carioca até meados de 1997, nunca mais sendo reprisada por nenhum outro canal ou streaming.
Ainda foi lançada em VHS no sistema Sell-Thru (venda direta), com apenas 1 mísero episódio por VHS. Foram ao todo dez fitas, com tiragem tão baixa que foram poucos os locais no Brasil que tiveram acesso a elas.
Se aproveitando da boa onda do Japão nas lojas de brinquedos, que trouxe sucessos de venda como o próprio Winspector, além dos brinquedos licenciados pela Samtoy (bonecos dos Cavaleiros do Zodíaco e Power Rangers, da Bandai), a Glasslite conseguiu emplacar uma boa cobertura na então imprensa especializada, como a revista Herói, além de uma ampla gama de anúncios de seus brinquedos.
Com dublagem realizada na Mastersound, a série manteve boa parte do elenco de vozes de Winspector, como Daoiz Cabezudo (Masaaki), Afonso Amajones (Daiki; em Winspector, foi Highter), Letícia Quinto (Leiko; em Winspector, Yuko, irmã de Lyuma) e Emerson Camargo (narrador e diretor de dublagem de ambas as séries; Cross em Solbrain; em Winspector, Maddoxx).
Também contou com a participação de Paulo Porto (Jun), Arakén Saldanha (Soldozer), Tatá Guarnieri, fazendo quase todos os vilões esporádicos; e Tânia Gaidarji, famosa pelo episódio do fantasma nazista — ainda bem que ninguém da família Bloch assistiu esse episódio pra tirar a série do ar, não é mesmo?
Lembrada com carinho por muitos que a acompanharam, Solbrain ainda ressoa entre os fãs de tokusatsu. Ano passado, a vinda do ator Kouchi Nakayama (Solbraver) ao Anime Friends, junto com seu parceiro Masaru Yamashita (Fire/Knight Fire) causou furor no fandom, que fez fila para ver seus heróis de perto.
Solbrain foi uma série com design arrojado, bom elenco, excelentes roteiros e com produção acima da média para os padrões da Toei. Merece ser revisitada por quem por ventura torcia o nariz por não ter a lógica de ‘monstro da semana’ ou ser focada apenas na criminalidade urbana de Tóquio em vez de invasões espaciais. É melhor que muita série idolatrada por aí. Pena que até hoje ninguém se coçou para colocar oficialmente em streaming.