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Uniformes escolares ganham um novo significado

Uniformes escolares ganham um novo significado

Redação
Por: Redação
17/06/2025 às 17h00 Atualizada em 17/06/2025 às 20h00
Uniformes escolares ganham um novo significado
Foto: Reprodução

As peças, produzidas por reeducandos, viram enxovais para bebês e são doadas para famílias em situação de vulnerabilidade social

Uniformes usados por alunos de escolas particulares do Distrito Federal estão ganhando um novo significado. Em vez de serem descartadas, as peças são reaproveitadas para confeccionar enxovais para bebês de famílias em situação de vulnerabilidade social. A iniciativa faz parte do projeto Nasce uma Estrela, desenvolvido pela Secretaria de Justiça e Cidadania do Distrito Federal (Sejus-DF), e envolve reeducandos que atuam diretamente na produção das roupinhas. A confecção dos enxovais acontece nas oficinas de costura da Fundação de Amparo ao Trabalhador Preso (Funap), distribuídas entre a sede da instituição e a Penitenciária Feminina do Distrito Federal (PFDF). Atualmente, cerca de 40 reeducandos participam do projeto, número que pode variar diariamente devido a benefícios, progressões de regime e outras alterações previstas em lei. Segundo a Sejus, a demanda é real e urgente: “Recebemos diversos relatos de gestantes que, mesmo com a proximidade do parto, ainda não possuem itens do enxoval. Para elas, receber as primeiras roupinhas do bebê representa não apenas um alívio material, mas também um gesto de acolhimento e esperança”. A secretária de Justiça, Marcela Passamani, conta que já alimentava o desejo de implementar a iniciativa há algum tempo. “Queremos acolher as mães e garantir que, nesse momento tão especial, elas estejam bem informadas, amparadas emocionalmente e seguras para receber seus bebês com todo o carinho e suporte necessário”, afirma. Para além do impacto direto sobre as famílias beneficiadas, que já somam mais de 1.300, o projeto tem uma dimensão transformadora também para quem está do outro lado da linha de produção: os reeducandos. Todos os participantes recebem capacitação profissional contínua, uma bolsa de ressocialização no valor de 3/4 do salário mínimo (R$ 1.138,50 em 2025) e têm direito à remição de pena, a cada três dias de trabalho, um dia a menos no cumprimento da sentença, conforme o artigo 29 da Lei de Execução Penal.
Recomeços
Hoje em liberdade, Diego Farias é um dos exemplos de como a capacitação dentro do sistema pode mudar trajetórias. Ele começou sua formação como costureiro ainda recluso. “Esse curso lá dentro foi muito importante porque foi uma oportunidade que me deram para me capacitar. Quando eu vim para a rua, consegui esse emprego na Funap, que foi fundamental para eu sustentar minha família”, conta. Para ele, o projeto oferece muito mais do que uma nova habilidade profissional. “É bem gratificante participar desse projeto, porque além da gente ajudar mulheres gestantes em vulnerabilidade, a gente também se ajuda. É uma nova oportunidade na vida”, afirma. Ele acredita que a falta de capacitação contribui diretamente para a reincidência. “Se o preso sai sem rumo, sem saber o que fazer, ele volta a recorrer ao crime. Mas dando capacitação, eu acho que o número de reincidência dentro do sistema prisional diminuiria muito”. Para a conselheira nacional de saúde pela União Nacional LGBT, Sílvia Cavalleire, projetos como o Nasce uma Estrela são um exemplo concreto de reintegração social. “Antes de nós entendermos pessoas em cumprimento de pena como apenas perigosas, precisamos compreendê-las como sujeitos de direitos, com necessidades humanas e com qualidades capazes de contribuir com o progresso social”, ressalta. Ela completa: “São pessoas talentosas e que esperavam apenas por uma oportunidade. Esses projetos mostram que são capazes de produzir, de encantar com seus trabalhos manuais e de construir uma nova história, rompendo com o ciclo de desigualdade social que as levou até o sistema prisional”. Além dos enxovais, a Funap também produz, nas oficinas, produtos PET, peças de artesanato e crochê, que são destinados a projetos sociais da Sejus e a eventos do GDF, como o GDF Perto do Cidadão, com estandes em feiras de artesanato.

Fonte: Jornal de Brasília
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