Quinta, 02 de Julho de 2026
14°C 25°C
Brasília, DF
Publicidade

Julho das Pretas: Mãe Dora de Oyá une música e espiritualidade com composição que viraliza na web

Julho das Pretas: Mãe Dora de Oyá une música e espiritualidade com composição que viraliza na web

Redação
Por: Redação
14/07/2025 às 15h00 Atualizada em 14/07/2025 às 18h00
Julho das Pretas: Mãe Dora de Oyá une música e espiritualidade com composição que viraliza na web
Foto: Reprodução

Mãe de Santo baiana radicada no DF alcança 225 mil visualizações com samba dedicado a Iansã e Xangô; releve do terreiro Ilê Axé T’ojú Labá é exemplo de resistência e arte

Brasília – No clima de celebração ao Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha , comemorado em 25 de julho , o Brasil destaca histórias de mulheres negras que inspiram. Uma delas é a de Mãe Dora de Oyá , Ialorixá, cantora, compositora e fisioterapeuta , cujo vídeo cantando para Iansã e Xangô alcançou mais de 19 mil curtidas e 225 mil visualizações nas redes sociais. Gravado ao lado de seu filho de santo, Khalil Santarém , o vídeo traz a composição original “Casal do Dendê” , uma mistura de fé, ancestralidade e ritmo:
“Quarta-feira / De trovão e ventania / Logo ao romper do dia / Vou fazer meu acará / Soprar pemba / Para a vida melhorar…”
A canção reuniu fãs do Candomblé, amantes da música brasileira e defensores da cultura afro-brasileira, incluindo personalidades como o produtor cultural Dom Filó e a filósofa Helena Theodoro , primeira mulher negra doutora no país, que se emocionaram com a performance.
Trajetória de resistência e espiritualidade
Natural de Riachão das Neves (BA) , Doralina dos Santos , conhecida como Mãe Dora de Oyá , chegou ainda jovem ao Distrito Federal , onde construiu uma trajetória marcada por lutas políticas, culturais e espirituais. Durante a ditadura militar, ela esteve envolvida no movimento estudantil e lutou pela redemocratização ao lado de integrantes do Partidão (PCdoB) . Ao mesmo tempo, mergulhou fundo na tradição religiosa afro-brasileira , tornando-se mãe de santo e liderando o Ilê Axé T’ojú Labá , localizado em Cidade Ocidental (GO) , próximo a Santa Maria (DF). Além disso, é costureira, terapeuta, educadora e mentora de jovens . Com o projeto ABC Musical , ela promoveu a formação musical de crianças e adolescentes do bairro Jardim ABC, alguns dos quais seguiram carreira artística na renomada Escola de Música de Brasília .
Projetos culturais com alcance internacional
Sob sua orientação espiritual, surgiram iniciativas artísticas de impacto nacional e internacional: Filhos de Dona Maria : grupo musical formado por Amílcar Paré e Khalil Santarém , já levou o samba ligado à religião às terras de Moçambique, em apresentações nos festivais nacionais de cultura em Beira e Maputo (2016) . Afoxé Ogum Pá : criado em 2017, leva a energia do Candomblé às ruas e já se apresentou em Cavalcante (GO), São Paulo (SP) e Santiago de Cuba , durante o Festival del Caribe .
Reconhecimento por décadas de contribuição
Ao longo de sua jornada, Mãe Dora foi homenageada em instituições públicas e eventos culturais, entre eles:
  • Festival Latinidades
  • Câmara Legislativa do DF , onde recebeu o IV Prêmio Marielle Franco de Direitos Humanos
  • Escolas e centros culturais em Brasília e Goiás
Para ela, a arte é uma extensão do sagrado , especialmente a música, que cura, fortalece e conecta as pessoas à espiritualidade:
“Nas horas de dor, é a música que me tira desse lugar.”
Espiritualidade em forma de tese
A jornalista e pesquisadora Maíra de Deus Brito , autora do artigo, desenvolveu uma pesquisa intitulada "O samba é santo: escrevivências sobre a Mãe Dora de Oyá" , defendida no Programa de Pós-Graduação em Direitos Humanos e Cidadania da Universidade de Brasília . A obra explora a ligação entre samba e espiritualidade , destacando momentos marcantes da trajetória de Mãe Dora e seu legado cultural e religioso.
“Ver Mãe Dora e sua arte ganhar o mundo pelas redes sociais é inspirador”, afirma Maíra.
Em um país marcado por ataques constantes a mulheres, especialmente negras e praticantes de religiões de matriz africana, figuras como Mãe Dora de Oyá representam resistência, visibilidade e dignidade . Que o espírito de Julho das Pretas não se limite a um mês, mas ecoe em todas as narrativas do ano — nas ruas, nos terreiros e nas telas.  

Com informações: Brasil de Fato
* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários
Brasília, DF
14°
Chuvas esparsas
Mín. 14° Máx. 25°
13° Sensação
1.87 km/h Vento
75% Umidade
0% (0mm) Chance chuva
06h39 Nascer do sol
17h51 Pôr do sol
Sexta
26° 14°
Sábado
27° 15°
Domingo
28° 17°
Segunda
29° 17°
Terça
30° 18°
Publicidade
Publicidade
Publicidade
Economia
Dólar
R$ 5,21 +0,00%
Euro
R$ 5,93 +0,01%
Peso Argentino
R$ 0,00 +0,00%
Bitcoin
R$ 336,983,56 +1,20%
Ibovespa
171,688,61 pts -0.2%
Publicidade
Publicidade
Enquete
Nenhuma enquete cadastrada
Publicidade
Lenium - Criar site de notícias