Apesar do avanço nas coberturas vacinais em 2024 e 2025, o Brasil ainda enfrenta o desafio do abandono vacinal, especialmente na aplicação de segundas doses e reforços. Em alusão ao Dia Nacional da Saúde, lembrado em 5 de agosto, especialistas reforçam que a proteção contra doenças só é garantida quando o esquema vacinal é completo e em dia.
Dados do Ministério da Saúde mostram que, em 2024, vacinas como
BCG (92,82%),
Hepatite B (90,54%) e a
1ª dose da Tríplice Viral (96,34%) atingiram níveis próximos ou acima da meta de 95% estabelecida pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI). No entanto, nenhuma vacina que exige mais de uma dose alcançou a cobertura ideal. A
2ª dose da Tríplice Viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola, teve apenas
77,67% de cobertura em 2024, caindo para
72,57% em 2025, segundo dados preliminares. Isso significa que quase
uma em cada três crianças não completou a imunização contra essas doenças.
Coberturas insuficientes nas doses de reforço Vacinas aplicadas no primeiro ano de vida também apresentam déficit. Em 2025, as coberturas foram:
- DTP (82,21%)
- Meningococo C (81,68%)
- Pneumo 10 (83,09%)
- Penta (81,78%)
- Febre amarela (75,48%)
Os reforços da
DTP e da
vacina inativada contra a poliomielite (VIP) alcançaram apenas
79,97% e
78,36%, respectivamente. O PNI considera alto o índice de abandono quando ultrapassa 10% entre a primeira e a segunda dose — patamar amplamente superado em várias vacinas do segundo semestre de vida.
Risco de retorno de doenças imunopreveníveis A infectologista pediátrica
Sylvia Freire, do Grupo Sabin, alerta que a falsa sensação de segurança após a primeira dose é um dos principais fatores do abandono. “As doenças imunopreveníveis tendem a reaparecer quando a cobertura vacinal diminui. Completar todas as doses do calendário é essencial para garantir proteção individual e coletiva”, afirma. Segundo ela, o efeito protetor só é completo após a finalização do esquema recomendado. “Muitas vacinas exigem duas ou mais aplicações para que o organismo desenvolva a resposta imunológica adequada. Quando uma pessoa elegível deixa de se imunizar, não só o risco de adoecimento aumenta, mas também o de propagação da doença na comunidade.”
Chamado para a responsabilidade coletiva O abandono vacinal compromete a chamada
imunidade coletiva, mecanismo que protege pessoas não vacinadas — como bebês muito jovens ou indivíduos com contraindicações médicas — quando uma alta proporção da população está imunizada. Especialistas reforçam a importância de campanhas de conscientização, lembretes ativos e integração entre serviços de saúde e famílias para garantir que os esquemas sejam completos. O calendário nacional de vacinação é público, gratuito e está disponível nas unidades de saúde de todo o país.
Com informações: Profissionais do texto