Sexta, 26 de Junho de 2026
15°C 24°C
Brasília, DF
Publicidade

Javali: caçadores questionam dados do Ibama e pedem descentralização do controle

Javali: caçadores questionam dados do Ibama e pedem descentralização do controle

Redação
Por: Redação
10/08/2025 às 10h00 Atualizada em 10/08/2025 às 13h00
Javali: caçadores questionam dados do Ibama e pedem descentralização do controle
Foto: Reprodução
Caçadores apontam falhas nos dados de abate e ausência de estudos populacionais do javali. Com a revisão da política em 2025, debate sobre gestão federal ganha força.

Javali: caçadores questionam dados do Ibama e pedem descentralização do controle

Caçadores e representantes de entidades ambientais estão contestando a eficácia e a transparência dos dados usados pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) no controle do javali (Sus scrofa), espécie exótica considerada invasora no Brasil. A crítica surge em meio à revisão da política nacional de manejo da espécie, prevista para 2025.
Daniel Terra, presidente da Associação Nacional de Caça e Conservação (Ancc), que reúne cerca de 4 mil afiliados, afirmou que o Ibama não tem capacidade técnica para gerir o controle da espécie e defendeu a transferência dessa responsabilidade aos estados. A posição é baseada em análise de dados obtidos pelo deputado federal Daniel Agrobom (PL/GO) por meio de solicitação formal ao órgão.
Dados autodeclarados e ausência de estudos populacionais
Segundo o Ibama, aproximadamente 1,5 milhão de javalis foram abatidos entre 2019 e abril de 2025, com base em registros autodeclarados por caçadores no Sistema Nacional de Controle de Fauna (SisFauna). No entanto, o próprio órgão reconhece limitações nesses dados: imprecisão na localização dos imóveis, falta de vínculo com o Cadastro Ambiental Rural (CAR) e ausência de validação técnica.
Além disso, mais da metade dos relatórios não informa o sexo ou a idade dos animais abatidos. O Ibama admitiu que essas falhas comprometem a confiabilidade estatística das informações.
Daniel Terra estima que, somando abates e nascimentos evitados, mais de 8 milhões de javalis poderiam ter sido controlados no período. Ele argumenta que 65% dos animais abatidos são adultos em idade reprodutiva, sendo 42% fêmeas, o que reforçaria o impacto do manejo.

Falta de transparência e acesso restrito aos dados

Um dos principais pontos de contestação é a falta de acesso público aos dados de controle. Os registros analisados por Terra só foram obtidos mediante solicitação parlamentar. “Não existe transparência. Os dados deveriam orientar a política pública, mas são retidos”, disse.
O Ibama informou que busca superar lacunas por meio da reestruturação de sistemas de monitoramento e do fortalecimento do diálogo com instituições estaduais e parceiros técnicos. No entanto, ainda não há estudos oficiais sobre a população, dispersão ou impactos ecológicos do javali no país.

Polêmica sobre métodos de controle

A revisão da política nacional de manejo do javali tem gerado debate sobre os métodos de controle. Atualmente, 98% das ações são realizadas por caçadores com armas de fogo. Apesar disso, a proposta em discussão prioriza o uso de armadilhas, que representam apenas 2% das ações registradas.
Terra criticou a ausência de previsão de fornecimento de armadilhas ou incentivos financeiros para caçadores. “O caçador faz 98% do trabalho, mas não recebe apoio nenhum”, afirmou.

Impactos ambientais e econômicos do javali

Apesar da falta de estudos formais do Ibama sobre os impactos ecológicos, reportagens anteriores do ((o))eco indicam que os javalis competem com espécies nativas como queixadas e catetos, degradam solos e afetam nascentes e cursos d’água.
A espécie já foi registrada em unidades de conservação em todos os biomas brasileiros, incluindo o Parque Nacional de São Joaquim (SC), o Parque Nacional do Itatiaia (RJ) e áreas em Minas Gerais, Santa Catarina e São Paulo. Um diagnóstico da Fundação Florestal apontou presença de javalis em 41% das unidades de conservação estaduais em São Paulo.
Além dos danos ambientais, o governo reconhece prejuízos à agropecuária. A espécie pode transmitir doenças como febre aftosa, brucelose e tuberculose a rebanhos e causar perdas de até 40% em lavouras de milho e soja, com impacto potencialmente bilionário na cadeia produtiva.
Ações locais e resistência ao controle centralizado
Apesar da gestão centralizada, algumas unidades de conservação já adotam ações de controle. Exemplos incluem o Parque Estadual Fritz Plaumann (SC), a RPPN Alto Montana (MG) e o Parque Estadual de Ilhabela (SP), onde são usadas armadilhas e abates assistidos.
O Ibama reafirmou que o objetivo do controle é exclusivamente ambiental, vedando o transporte e a comercialização da carne dos animais abatidos. O órgão disse estar à disposição do Congresso Nacional, da sociedade civil e dos setores envolvidos para a construção de soluções conjuntas.

Com informações: ECO
* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários
Brasília, DF
18°
Tempo nublado
Mín. 15° Máx. 24°
17° Sensação
3.01 km/h Vento
55% Umidade
0% (0mm) Chance chuva
06h38 Nascer do sol
17h50 Pôr do sol
Sábado
25° 15°
Domingo
25° 15°
Segunda
25° 15°
Terça
26° 15°
Quarta
26° 15°
Publicidade
Publicidade
Publicidade
Economia
Dólar
R$ 5,17 +0,03%
Euro
R$ 5,88 +0,00%
Peso Argentino
R$ 0,00 +0,00%
Bitcoin
R$ 328,086,48 +0,24%
Ibovespa
173,295,14 pts 0.76%
Publicidade
Publicidade
Enquete
Nenhuma enquete cadastrada
Publicidade
Lenium - Criar site de notícias