
O deserto de Taklamakan, um dos maiores e mais secos do mundo, deixou de ser apenas um "vazio biológico" para se tornar uma peça estratégica no combate ao aquecimento global. Uma nova pesquisa publicada na revista científica PNAS revela que o plantio massivo de árvores em suas bordas — parte do ambicioso projeto "Grande Muralha Verde" da China — transformou a periferia do deserto em um sumidouro de carbono estável.
Cercado por montanhas que bloqueiam a umidade, o Taklamakan (com área superior ao estado de Goiás) era conhecido por tempestades de areia devastadoras e expansão contínua. No entanto, intervenções humanas coordenadas ao longo de décadas conseguiram estabilizar dunas e criar um cinturão de vegetação que agora absorve mais dióxido de carbono (CO2) da atmosfera do que libera.
A equipe de pesquisadores, que inclui especialistas da NASA e do Caltech, analisou 25 anos de observações terrestres e dados de satélite. O estudo cruzou informações sobre fotossíntese, níveis de precipitação e fluxos de CO2. Os resultados mostram que:
Redução de CO2: Durante a estação úmida, os níveis de CO2 sobre o deserto caíram de 416 para 413 partes por milhão (ppm).
Expansão Florestal: A cobertura vegetal na China saltou de 10% em 1949 para mais de 25% em 2024.
Estabilização: O cinturão verde conseguiu "domar" dunas móveis que antes soterravam estradas e infraestruturas.
O professor Yuk Yung, do Laboratório de Propulsão a Jato da NASA, destacou que este é o primeiro modelo bem-sucedido que demonstra a possibilidade de transformar um ambiente de aridez extrema em uma ferramenta contra as mudanças climáticas. "O projeto pode servir como um modelo valioso para outras regiões desérticas", afirmou Yung à Live Science.
Embora especialistas ainda debatam se a "Grande Muralha Verde" reduziu a frequência total de tempestades de areia, sua função como capturadora de carbono é agora uma evidência científica. O projeto chinês, iniciado em 1978, visa plantar bilhões de árvores até 2050, com mais de 66 bilhões já estabelecidas no norte do país.
Diferente de estudos anteriores que sugeriam que a areia do deserto absorvia carbono de forma instável (podendo liberá-lo com o aumento da temperatura), a vegetação fixada nas bordas cria um sumidouro biológico muito mais resiliente. O aumento das chuvas locais durante a estação úmida também potencializou a fotossíntese, acelerando a recuperação do ecossistema.
Palavras-Chave: Grande Muralha Verde China, deserto Taklamakan carbono, reflorestamento deserto 2026.