A ação marca uma nova etapa no combate ao tráfico de fauna brasileira e reforça o compromisso com a recuperação de espécies ameaçadas na
, bioma onde o mico-leão-dourado vive exclusivamente.
Ambos os grupos passaram por longos períodos de reabilitação antes de serem considerados aptos para reintegração.
Reabilitação e preparação para a liberdade
Durante a reabilitação, os micos foram submetidos a protocolos de saúde, comportamento e socialização para garantir sua capacidade de sobrevivência na natureza. Segundo especialistas, o sucesso da reintrodução depende da formação de grupos sociais estáveis, geralmente liderados por um casal alfa. “Essa é uma história incrível sobre a resistência desses pequenos macacos e de um esforço verdadeiramente global para garantir sua sobrevivência. Hoje, devolvemos dois casais à sua Mata Atlântica nativa e damos uma segunda chance para que ajudem a garantir o futuro da espécie”, afirmou
Andreia Martins, coordenadora de manejo e monitoramento da AMLD, com mais de 40 anos de atuação na conservação da espécie.
Um símbolo de resistência
Uma das fêmeas soltas, anteriormente em estado crítico ao chegar ao CPRJ, ganhou o apelido de
“guerreira” da equipe veterinária. “Ela ficou à beira da morte por dias. Torcemos para que fosse a primeira a reconquistar a liberdade. E hoje, ela está de volta à floresta”, contou a veterinária
Silvia Bahadian, do CPRJ.
Combate ao tráfico e esforço governamental
O secretário executivo da AMLD,
Luís Paulo Ferraz, destacou o papel estratégico do
governo brasileiro na repatriação dos animais. “O Brasil coordenou esforços com embaixadas, providenciou aviões e recuperou esses animais de territórios estrangeiros. Esse gesto é profundamente simbólico e mostra uma preocupação real com a nossa fauna”, afirmou. O tráfico de micos-leões-dourados, que havia desacelerado nas décadas de 1980 e 1990 com o início de programas de conservação, voltou a crescer nos últimos anos, conforme indicam as apreensões recentes em rotas internacionais.
Critérios científicos para reintrodução
A seleção dos quatro animais aptos à soltura seguiu diretrizes do
Plano de Ação Nacional (PAN) para a Conservação dos Primatas e Preguiças da Mata Atlântica, coordenado pelo
ICMBio. Fatores como saúde física, comportamento social e capacidade de forrageamento foram rigorosamente avaliados. Uma equipe de campo da AMLD acompanhará os micos por meses, por meio de monitoramento via rádio-telemetria, para garantir sua adaptação e identificar eventuais riscos.
População em recuperação
De acordo com o último censo da AMLD, realizado em 2023, há cerca de
4.800 micos-leões-dourados na natureza — um aumento significativo frente às cerca de 200 unidades registradas na década de 1970, quando a espécie estava à beira da extinção. A soltura dos quatro indivíduos resgatados do tráfico representa não apenas uma vitória contra o crime ambiental, mas também um reforço genético e simbólico para a continuidade da espécie.
Com informações: AMLD / CPRJ / ICMBio / ECO