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Micos-leões-dourados vítimas do tráfico voltam para natureza

Micos-leões-dourados vítimas do tráfico voltam para natureza

Redação
Por: Redação
13/08/2025 às 11h00 Atualizada em 13/08/2025 às 14h00
Micos-leões-dourados vítimas do tráfico voltam para natureza
Foto: Reprodução

Dois casais de micos-leões-dourados, repatriados do Suriname e Togo após apreensão em operações contra tráfico, foram devolvidos à natureza no RJ. Ação é liderada pela AMLD e UENF

Na sexta-feira (8/8/2025), dois casais de micos-leões-dourados (Leontopithecus rosalia) — vítimas do tráfico internacional de animais silvestres — foram devolvidos à natureza no interior do Rio de Janeiro, em uma ação simbólica e estratégica para a conservação da espécie. A soltura, realizada no município de Macaé, foi conduzida pela Associação Mico-Leão-Dourado (AMLD) em parceria com a Universidade Estadual Norte Fluminense (UENF). O local exato não foi divulgado por questões de segurança.

A ação marca uma nova etapa no combate ao tráfico de fauna brasileira e reforça o compromisso com a recuperação de espécies ameaçadas na Mata Atlântica, bioma onde o mico-leão-dourado vive exclusivamente.
Resgate internacional e repatriação
Os quatro primatas soltos foram recuperados em duas operações internacionais:
  • Dois indivíduos foram apreendidos em fevereiro de 2024 no Togo, na África Ocidental, dentro de um veleiro à deriva. O grupo incluía 20 micos-leões-dourados (três já mortos) e 12 araras-azuis-de-lear. Todos foram repatriados pelo governo brasileiro e encaminhados ao Centro de Primatologia do Rio de Janeiro (CPRJ) para tratamento.
  • Os outros dois micos vieram de uma apreensão no Suriname, em agosto de 2023, onde sete micos e 29 araras foram encontrados. Também repatriados pelo Brasil, os animais foram levados ao Zoológico Municipal de Guarulhos (SP), onde receberam cuidados veterinários especializados.

Ambos os grupos passaram por longos períodos de reabilitação antes de serem considerados aptos para reintegração.

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Reabilitação e preparação para a liberdade
Durante a reabilitação, os micos foram submetidos a protocolos de saúde, comportamento e socialização para garantir sua capacidade de sobrevivência na natureza. Segundo especialistas, o sucesso da reintrodução depende da formação de grupos sociais estáveis, geralmente liderados por um casal alfa. “Essa é uma história incrível sobre a resistência desses pequenos macacos e de um esforço verdadeiramente global para garantir sua sobrevivência. Hoje, devolvemos dois casais à sua Mata Atlântica nativa e damos uma segunda chance para que ajudem a garantir o futuro da espécie”, afirmou Andreia Martins, coordenadora de manejo e monitoramento da AMLD, com mais de 40 anos de atuação na conservação da espécie.
Um símbolo de resistência
Uma das fêmeas soltas, anteriormente em estado crítico ao chegar ao CPRJ, ganhou o apelido de “guerreira” da equipe veterinária. “Ela ficou à beira da morte por dias. Torcemos para que fosse a primeira a reconquistar a liberdade. E hoje, ela está de volta à floresta”, contou a veterinária Silvia Bahadian, do CPRJ.
Combate ao tráfico e esforço governamental
O secretário executivo da AMLD, Luís Paulo Ferraz, destacou o papel estratégico do governo brasileiro na repatriação dos animais. “O Brasil coordenou esforços com embaixadas, providenciou aviões e recuperou esses animais de territórios estrangeiros. Esse gesto é profundamente simbólico e mostra uma preocupação real com a nossa fauna”, afirmou. O tráfico de micos-leões-dourados, que havia desacelerado nas décadas de 1980 e 1990 com o início de programas de conservação, voltou a crescer nos últimos anos, conforme indicam as apreensões recentes em rotas internacionais.
Critérios científicos para reintrodução
A seleção dos quatro animais aptos à soltura seguiu diretrizes do Plano de Ação Nacional (PAN) para a Conservação dos Primatas e Preguiças da Mata Atlântica, coordenado pelo ICMBio. Fatores como saúde física, comportamento social e capacidade de forrageamento foram rigorosamente avaliados. Uma equipe de campo da AMLD acompanhará os micos por meses, por meio de monitoramento via rádio-telemetria, para garantir sua adaptação e identificar eventuais riscos.
População em recuperação
De acordo com o último censo da AMLD, realizado em 2023, há cerca de 4.800 micos-leões-dourados na natureza — um aumento significativo frente às cerca de 200 unidades registradas na década de 1970, quando a espécie estava à beira da extinção. A soltura dos quatro indivíduos resgatados do tráfico representa não apenas uma vitória contra o crime ambiental, mas também um reforço genético e simbólico para a continuidade da espécie.

Com informações: AMLD / CPRJ / ICMBio /  ECO
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