Novo estudo de Cambridge aponta que o Autismo tem Múltiplas Origens biológicas e genéticas. A pesquisa diferencia Autismo Precoce e Tardio, reforçando a necessidade de terapias personalizadas de acordo com a idade do diagnóstico
Uma pesquisa recente da Universidade de Cambridge, publicada na revista
Nature, sugere que o
autismo não deve ser encarado como uma condição única e homogênea, mas sim como um conjunto de perfis biológicos e de desenvolvimento com
Múltiplas Origens. O estudo analisou dados genéticos de mais de 45 mil pessoas autistas globalmente, correlacionando-os com a idade em que receberam o diagnóstico. A descoberta fundamental é que o
autismo precoce e tardio podem surgir de processos biológicos distintos. Os pesquisadores observaram que a sobreposição genética entre os grupos de diagnóstico é pequena.
Diferenciação por Idade de Diagnóstico
O estudo aponta diferenças claras baseadas em quando os traços de autismo se manifestam:
- Autismo Precoce (Diagnóstico antes dos 6 anos): Associado a dificuldades sociais e comportamentais evidentes desde cedo e a perfis genéticos tipicamente identificados na primeira infância.
- Diagnóstico Tardio (Diagnóstico após os 10 anos): Indivíduos neste grupo mostraram maior propensão a problemas de saúde mental, como depressão, e perfis genéticos que se aproximam de TDAH (Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade) ou transtorno de estresse pós-traumático.
Segundo o autor principal, Varun Warrier, a diferença na manifestação sugere que algumas influências genéticas fazem com que os traços apareçam muito cedo, enquanto outras só se manifestam mais tarde, muitas vezes durante a adolescência.
Implicações para o Tratamento
A pesquisa reforça a visão de que o autismo é um espectro de condições e não uma única entidade. Essa conclusão desafia o conceito de "uma causa única do autismo" e tem grandes implicações para a abordagem clínica: O principal impacto é a necessidade de desenvolver
terapias personalizadas que levem em consideração o perfil biológico e a idade de manifestação. O reconhecimento das
Múltiplas Origens do autismo é crucial para aprimorar o diagnóstico e garantir intervenções mais eficazes e específicas.
Com informações: Universidade de Cambridge / Nature / Olhar Digital