O presidente Andry Rajoelina foi alvo de um processo de impeachment após semanas de protestos liderados pela Geração Z. Os militares declararam a dissolução das principais instituições e anunciaram um governo de transição de até dois anos, com a promessa de novas eleições e um referendo constitucional
O presidente de Madagascar,
Andry Rajoelina (pró-França), foi destituído por um processo de
impeachment nesta terça-feira (14), após semanas de crise política e intensos protestos de rua liderados pela
Geração Z. Rajoelina já havia deixado o país dias antes a bordo de um avião militar francês, com destino desconhecido. A crise culminou com a intervenção militar. O coronel do Exército
Michael Randrianirina anunciou que as Forças Armadas haviam assumido o poder na ilha africana.
Governo de Transição e Dissolução de Instituições
Randrianirina informou que uma junta liderada pelos militares governará o país por um período de
até dois anos, em conjunto com um governo de transição. O plano inclui:
- A realização de um referendo para estabelecer uma nova constituição.
- A organização de novas eleições para o restabelecimento gradual das instituições.
Os militares anunciaram a dissolução de diversas instituições-chave, exceto a câmara baixa do parlamento, que havia votado pelo
impeachment de Rajoelina:
- Senado
- Tribunal Superior Constitucional
- Comissão Eleitoral Nacional Independente
- Tribunal Superior de Justiça
- Conselho Superior de Defesa dos Direitos Humanos e do Estado de Direito
A notícia da tomada de poder pelos militares foi recebida com
comemorações nas ruas da capital, Antananarivo.
Origem da Crise e a Geração Z
Os protestos que levaram ao
impeachment duraram mais de duas semanas e foram inicialmente motivados por cortes de água e energia. Rapidamente, evoluíram para denúncias mais amplas contra:
- Corrupção
- A elite política pró-França
- A falta de oportunidades no país
Muitos manifestantes zombaram de Rajoelina, que foi reeleito em 2023 em uma votação boicotada pela oposição, chamando-o de
"fantoche francês", em referência ao país que colonizou Madagascar de 1896 a 1960 e que ainda mantém grande controle sobre a exploração de seus recursos. Os manifestantes da Geração Z utilizaram símbolos, como o mangá japonês
One Piece, em seus atos. No último sábado, soldados se uniram aos protestos, pedindo às forças de segurança que não atirassem contra a população. O presidente deposto tentou, sem sucesso, dissolver a câmara baixa por decreto, mas os legisladores prosseguiram com a votação, gerando o impasse constitucional que os militares usaram para declarar o golpe. Rajoelina, que alegou estar em um "lugar seguro" após denunciar supostos atentados, permanece com paradeiro desconhecido.
Com informações: Opera Mundi