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Líder de movimento contra presença militar francesa no Benin é sequestrado por agentes à paisana

Líder de movimento contra presença militar francesa no Benin é sequestrado por agentes à paisana

Redação
Por: Redação
25/10/2025 às 21h00 Atualizada em 26/10/2025 às 00h00
Líder de movimento contra presença militar francesa no Benin é sequestrado por agentes à paisana
Foto: Reprodução
Damien Zinsou Dégbé, presidente do Conselho da Juventude Patriótica (CoJeP) do Benin, foi sequestrado por agentes à paisana, três dias após ser detido. O ativista, figura central nas manifestações contra a presença militar da França e dirigente do Partido Comunista do Benin (PCB), foi acusado de "ciberassédio e incitação à violência". O CoJeP denuncia a ação como perseguição política do regime de Patrice Talon, aliado do presidente francês Emmanuel Macron

O ativista e dirigente político Damien Zinsou Dégbé, presidente do Conselho da Juventude Patriótica (CoJeP) do Benin, foi sequestrado por agentes à paisana em um veículo sem identificação no dia 21 de outubro de 2025. O CoJeP é a principal organização que articula manifestações contrárias à presença militar francesa no país da África Ocidental. A prisão foi confirmada pela Organização de Defesa dos Direitos Humanos e dos Povos (ODHP), que classificou a ação como um "ato criminoso" e exigiu sua libertação imediata. Três dias após sua detenção, Dégbé permanece preso.

Acusações Políticas e Repressão

Segundo a ODHP, Dégbé foi levado ao Centro Nacional de Investigação Digital (CNIN), órgão ligado ao aparato repressivo do regime do presidente Patrice Talon, um aliado de Emmanuel Macron na África Ocidental. Dégbé foi interrogado e acusado de "ciberassédio, incitação à violência e rebelião". A ODHP e o CoJeP denunciam que as acusações têm motivação exclusivamente política, baseadas em suas atividades no Partido Comunista do Benin (PCB) e em suas críticas públicas ao governo. Um dia após a prisão de Dégbé, outro membro do CoJeP, Parfait Gnami, também foi detido na região de Parakou. A ODHP acusa o regime de Talon de manter um histórico de sequestros e detenções arbitrárias, o que "caracteriza um padrão de terrorismo de Estado".

Denúncias Contra o Regime Pró-Imperialista

Em entrevista concedida ao Brasil de Fato em julho, Dégbé havia denunciado o caráter “autocrático e pró-imperialista” do governo de Patrice Talon, acusando-o de entregar o país à França e de reprimir sistematicamente as manifestações populares. Dégbé destacou que o papel de Talon é servir aos interesses da França, assinando novos acordos militares que permitem que tropas francesas expulsas do Níger se reposicionem no Benin. O ativista afirmava que a juventude beninense está determinada a lutar pela "libertação completa do país das mãos dos franceses". Ele também demonstrou solidariedade à Aliança dos Estados do Sahel (AES) – Mali, Burkina Faso e Níger – classificando o movimento de ruptura com o Ocidente como uma "guerra de independência" e um "símbolo de esperança" para o continente.
Com informações: Brasil de Fato
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