Quase 34% das crianças e adolescentes brasileiros já apresentam sobrepeso ou obesidade, com projeção de chegar a 50% até 2035. Especialistas destacam a necessidade de acompanhamento médico contínuo e exames para evitar riscos metabólicos e alterações hormonais
O Brasil enfrenta um avanço rápido da
obesidade infantil, que está associada a sérios riscos metabólicos, hormonais e cardiovasculares que se manifestam já na infância. Especialistas enfatizam a importância do acompanhamento médico contínuo para identificar precocemente o excesso de peso e os desequilíbrios hormonais. A endocrinologista pediátrica Patrícia Amorim, do Sabin Diagnóstico e Saúde, explica que exames laboratoriais como hemograma completo, glicemia de jejum, perfil lipídico, análise de urina (EAS) e dosagens hormonais são indicados mesmo em crianças assintomáticas, especialmente se houver
histórico familiar de obesidade ou doenças metabólicas. "Eles ajudam a identificar alterações que ainda não se manifestaram clinicamente”, afirma. O excesso de gordura na infância também pode provocar alterações hormonais que afetam o desenvolvimento sexual, como o surgimento de pelos pubianos, brotos mamários ou menstruação precoce, o que exige uma investigação hormonal adequada. O sobrepeso compromete ainda o crescimento, a saúde cardiovascular, a função respiratória e a autoestima da criança.
“Quanto mais cedo for identificada e acompanhada, melhores são os resultados do tratamento. E, muitas vezes, a prevenção com mudança de hábitos evita a necessidade de intervenções médicas mais complexas no futuro”, alerta a médica.
O Perigo Silencioso e as Projeções
Dados recentes do
Atlas Mundial da Obesidade 2024 mostram que aproximadamente
34% das crianças e adolescentes brasileiros (entre 5 e 19 anos) estão com sobrepeso ou obesidade. A projeção para os próximos dez anos é alarmante: esse índice pode atingir
50% até 2035. As causas são multifatoriais, destacando-se a
má alimentação, o
sedentarismo e o
uso excessivo de dispositivos eletrônicos. A médica Patrícia Amorim salienta que a redução drástica nas atividades físicas após a pandemia impactou diretamente no ganho de peso das crianças. Para a prevenção, a orientação é que as famílias incentivem a prática de
atividade física (ao menos três vezes por semana, por cerca de uma hora) e mantenham uma dieta equilibrada, rica em frutas, verduras, legumes e proteínas saudáveis, com a redução essencial do consumo de ultraprocessados, bebidas açucaradas e
fast food.
Com informações: Sabin Diagnóstico e Saúde