Universidade de Yale identificou 31 pontos com possíveis corpos em áreas residenciais de Darfur, cidade tomada pelo grupo paramilitar Forças de Apoio Rápido (FAR). O conflito, que já dura três anos, é classificado como a “maior crise humanitária do mundo”
Imagens de satélite divulgadas pela
Universidade de Yale confirmaram novos massacres em
El-Fasher, cidade de Darfur, no Sudão, que foi tomada pelo grupo paramilitar
Forças de Apoio Rápido (FAR) há quase uma semana. O levantamento identificou pelo menos
31 pontos com possíveis corpos humanos em áreas residenciais, universitárias e militares, indicando que a matança prossegue. O conflito entre as FAR, comandadas por Mohammed Hamdan Dagalo, e o Exército do Sudão, liderado pelo general Abdel Fatah al-Burhan, já dura quase três anos e provocou milhares de mortes e o colapso das comunicações na região.
? Genocídio e Crimes de Guerra
A conquista de El-Fasher, após um cerco de 18 meses, consolidou o domínio paramilitar sobre as cinco principais cidades de Darfur. O grupo FAR tem sido acusado de
genocídio contra minorias étnicas, retomando práticas de extermínio semelhantes às de duas décadas atrás. O Exército sudanês também é acusado de crimes de guerra. Sobreviventes relataram
execuções sumárias, estupros, saques e ataques a civis, com relatos de crianças baleadas e cadáveres espalhados pelas ruas. A organização
Médicos Sem Fronteiras afirma que a maioria dos habitantes pode estar morta, detida ou escondida. A ONU estima que 65 mil pessoas conseguiram fugir, mas dezenas de milhares permanecem presas.
? Reação Internacional e Crise Humanitária
O ministro das Relações Exteriores da Alemanha,
Johann Wadephul, classificou a situação como “a maior crise humanitária do mundo”. Ao lado de autoridades do Reino Unido e da Jordânia, ele pediu a
responsabilização imediata das FAR. O Reino Unido anunciou um novo pacote de ajuda de
US$ 6,6 milhões, somado a 120 milhões de libras já destinadas ao país. A escalada em Darfur reacende o temor de um novo genocídio no Sudão, que agora está dividido em dois blocos: o Exército no norte, centro e leste, e as FAR no oeste. Funcionários da ONU alertam que a violência se espalha e que a combinação de fome, deslocamento e massacres faz do Sudão o
epicentro da pior tragédia humanitária do século.
Com informações: DCM