Um estudo inédito da Autistas Brasil em parceria com o DesinfoPop/FGV revela que a desinformação sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA) cresceu mais de 15.000% na América Latina e Caribe desde 2020. O levantamento mapeou 150 falsas causas e 150 falsas "curas" para o autismo, disseminadas em 1.659 grupos conspiratórios no Telegram. O Brasil é o principal polo de circulação na região, respondendo por quase metade (48%) dos conteúdos, que exploram a dor de famílias e colocam em risco a saúde das crianças com terapias perigosas, como a ingestão de dióxido de cloro
A desinformação envolvendo o
Transtorno do Espectro Autista (TEA) atingiu níveis alarmantes na América Latina e no Caribe, com um crescimento superior a
15.000% desde o início da pandemia de COVID-19. Os dados são de um estudo inédito divulgado pela
Autistas Brasil, em parceria com o Laboratório DesinfoPop da FGV. A pesquisa analisou
58,5 milhões de conteúdos em
1.659 grupos e canais conspiratórios no Telegram (entre 2015 e 2025), alcançando mais de 5,3 milhões de usuários. Do total, 47.261 publicações tratavam especificamente de autismo, atingindo 4,1 milhões de pessoas.
?? Brasil Lidera o Risco na Região
O estudo aponta o
Brasil como o principal vetor de circulação dessas teorias conspiratórias na região:
- 48% do conteúdo sobre autismo mapeado na América Latina é produzido em comunidades brasileiras.
- Foram encontradas 10.591 publicações apenas no país.
- O conteúdo atingiu 1,7 milhão de usuários e somou 13,9 milhões de visualizações no Brasil.
Argentina, México, Venezuela e Colômbia também estão entre os países com maior volume de desinformação.
? 150 Falsas Causas e 150 Falsas "Curas"
O mapeamento identificou e classificou 150 falsas causas e 150 falsas "curas" para o TEA, muitas delas perigosas.
Guilherme de Almeida, presidente da Autistas Brasil, alertou para o impacto humano: "Estamos diante de uma epidemia silenciosa de desinformação. O estudo mostra como a desinformação se tornou um negócio —
explorando a dor e a esperança de quem busca respostas." As narrativas falsas alimentam o preconceito, dificultam a inclusão e, principalmente, afastam famílias do acompanhamento médico e de terapias baseadas em evidências, sujeitando-as a exploração emocional e financeira.
Com informações: Autistas Brasil / Laboratório DesinfoPop da FGV