
As populações de insetos estão em acentuado declínio em praticamente todos os lugares onde foram estudadas, prenunciando um futuro sombrio para o abastecimento mundial de alimentos. Esse fenômeno é tão notável que foi apelidado de "apocalipse de insetos".
A ecologista Cheryl Schultz aponta para o "teste do para-brisa" como um indicador informal: há 30 anos, era comum ter o para-brisa de um carro coberto de insetos após uma viagem de verão; hoje, ele permanece limpo. Essa queda drástica afeta ecossistemas globais, especialmente os insetos voadores que polinizam muitas culturas.
A diminuição afeta tanto o número total de insetos quanto o número de espécies (biodiversidade):
Abelhas: A biodiversidade global de abelhas caiu 25% em comparação com os números anteriores a 1995.
Borboletas: A abundância de borboletas nos EUA caiu 22% nas últimas duas décadas.
Insetos Voadores (Alemanha): Um estudo constatou uma perda impressionante de 76% de insetos voadores em algumas áreas florestais alemãs ao longo de 27 anos.
Scott Black, diretor executivo da Xerces Society for Invertebrate Conservation, classificou a situação como "algo preocupante", visto o papel crucial dos insetos para a saúde dos ecossistemas.
Os especialistas identificam o clima e o uso da terra como principais vetores do declínio:
1. Mudança Climática: O aquecimento global faz com que as plantas hospedeiras floresçam mais cedo, causando um descompasso nos ciclos de vida dos insetos recém-nascidos, que ficam dessincronizados de suas fontes de alimento. Extremos climáticos (calor, tempestades, megasecas) também dizimam populações robustas.
2. Uso de Pesticidas e Perda de Habitat: O uso intensivo de pesticidas e a perda de habitat devido à agricultura e urbanização contribuem significativamente para a morte e o desaparecimento de espécies sensíveis.
O risco mais imediato desse declínio é para o abastecimento global de alimentos, já que a polinização é vital para a produção de grande parte das frutas, vegetais e nozes que consumimos.
Pesquisadores trabalham para encontrar soluções, defendendo uma abordagem colaborativa focada em três pilares:
Criação de Novos Habitats: Implementar habitats adequados para polinizadores.
Redução de Pesticidas: Diminuir drasticamente o uso de pesticidas na agricultura.
Esforços de Conservação: Integrar esforços locais e federais de conservação.
Com informações: LiveScience