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Natureza em festa: Araras-canindé voltam a voar no Rio após 200 anos de extinção local

Natureza em festa: Araras-canindé voltam a voar no Rio após 200 anos de extinção local

Redação
Por: Redação
29/01/2026 às 12h00 Atualizada em 29/01/2026 às 15h00
Natureza em festa: Araras-canindé voltam a voar no Rio após 200 anos de extinção local
Araras-canindé
Reintrodução no Parque Nacional da Tijuca marca o retorno da espécie, cujo último registro no estado era de 1818; projeto do Refauna prevê a soltura de 50 aves nos próximos cinco anos

O céu do Rio de Janeiro ganhou um colorido que não era visto há mais de dois séculos. No início de janeiro de 2026, três fêmeas de arara-canindé (Ara ararauna) foram soltas no Parque Nacional da Tijuca, marcando o retorno oficial da espécie ao estado fluminense. O último registro histórico dessas aves em solo carioca datava de 1818, período em que foram extintas localmente devido à caça e à destruição da Mata Atlântica.

A iniciativa é liderada pelo projeto Refauna, com apoio do ICMBio, e representa um marco para a biodiversidade da região. As aves — batizadas de Fernanda, Fátima e Sueli — passaram por um rigoroso processo de aclimatação desde junho de 2025, onde recuperaram musculatura de voo e aprenderam a identificar alimentos naturais da floresta.

O caminho para o repovoamento

O projeto é ambicioso e focado na sustentabilidade da população a longo prazo. Além das três fêmeas já soltas, um macho chamado Selton permanece no recinto de aclimatação aguardando novos companheiros. A meta dos pesquisadores é reintroduzir até 50 indivíduos ao longo de cinco anos.

Para garantir que as araras fiquem seguras, a equipe do Refauna utiliza tecnologia de ponta:

  • Identificação: As aves possuem anilhas, microchips e colares coloridos.

  • Monitoramento Participativo: A sociedade é incentivada a relatar avistamentos pelo WhatsApp do projeto (21 96974-4752) ou pelo aplicativo SISS-Geo, da Fiocruz.

Um desafio sanitário e ecológico

A bióloga Lara Renzeti, coordenadora do projeto, explica que o planejamento começou ainda em 2018. Um dos maiores desafios foi a questão sanitária, garantindo que as aves (vindas de São Paulo) não trouxessem doenças para a fauna local e estivessem saudáveis para enfrentar a vida livre.

O retorno das araras não é apenas estético; elas cumprem um papel fundamental como dispersoras de sementes, ajudando na regeneração natural da floresta. "Desejamos que os moradores e visitantes tenham a oportunidade de avistar essas aves colorindo o céu, mas isso precisa da colaboração de todos, cuidando e valorizando os animais livres", afirma Lara.

Como ajudar?

Se você visitar o Rio de Janeiro ou morar próximo ao Parque da Tijuca, fique atento às copas das árvores. Caso aviste uma das araras:

  1. Não alimente: Elas precisam manter o hábito de buscar comida na natureza.

  2. Não tente capturar: Elas são monitoradas e protegidas por lei.

  3. Fotografe e informe: Envie a localização e fotos para o Instagram do @refauna.


Com informações: ECO, Refauna, ICMBio.

 
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