
O mercado de tratamento para a depressão enfrenta um desafio significativo: cerca de 15,7% dos pacientes interrompem a medicação por conta própria em um período de 12 meses, conforme um estudo publicado em 2024 baseado em dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). Os principais motivadores desse abandono são os efeitos adversos, com destaque para o ganho de peso e a disfunção sexual.
A interrupção do tratamento não só compromete a melhora dos sintomas, mas também aumenta o risco de recaídas e agravamento do quadro, conforme alertam os especialistas. A chegada de novas opções terapêuticas busca minimizar o impacto desses efeitos colaterais.
Vilazodona: Um exemplo de molécula inovadora, recém-chegada ao Brasil, é a vilazodona, indicada para o tratamento da depressão com sintomas de ansiedade.
Mecanismo Duplo: A vilazodona atua em receptores específicos ligados à serotonina, combinando dois mecanismos que auxiliam nos efeitos do tratamento. Além de aumentar a serotonina, a molécula melhora indiretamente a atividade da dopamina no córtex pré-frontal, área relacionada ao humor, motivação e bem-estar.
Baixa Interferência: Estudos indicam que a vilazodona apresenta baixa interferência no desempenho sexual e no aumento de peso, oferecendo uma alternativa para pacientes com histórico de abandono devido a esses efeitos.
O debate sobre a adesão ao tratamento tem especial relevância no Brasil, que lidera a prevalência mundial de transtornos de ansiedade e ocupa o 5º lugar em casos de depressão globalmente, segundo a OMS.
O psiquiatra Felipe Lobo ressalta que "a boa notícia é que hoje temos alternativas mais modernas, que minimizam os efeitos colaterais e apresentam bons resultados aos pacientes". A chegada dessas novas opções permite intervenções mais individualizadas e contribui para a qualidade de vida dos pacientes.
Com informações: Organização Mundial de Saúde (OMS) e Libbs