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Cosmovisão ancestral: arte rupestre de 4.000 anos no Texas revela concepção do universo indígena

Cosmovisão ancestral: arte rupestre de 4.000 anos no Texas revela concepção do universo indígena

Redação
Por: Redação
27/11/2025 às 23h02 Atualizada em 28/11/2025 às 02h02
Cosmovisão ancestral: arte rupestre de 4.000 anos no Texas revela concepção do universo indígena
Foto: Reprodução

Um novo estudo revelou que a arte rupestre do Estilo do Rio Pecos, no sudoeste do Texas, começou a ser pintada há cerca de 6.000 anos e persistiu por mais de 4.000 anos. Criadas por caçadores-coletores nômades, as pinturas murais — algumas com mais de 30 metros de comprimento — demonstram uma consistência estilística notável e seguem um conjunto rígido de regras, indicando a transmissão de uma cosmovisão duradoura e sofisticada entre aproximadamente 175 gerações.


Técnicas inovadoras de datação revelaram a longevidade da arte rupestre conhecida como tradição do Estilo do Rio Pecos, encontrada na região de Lower Pecos Canyonlands, que se estende pelo sudoeste do Texas e norte do México. A arte provavelmente surgiu há quase 6.000 anos e permaneceu em produção até cerca de 1.000 a 1.400 anos atrás.

A “Antiga Biblioteca” e a cosmovisão persistente ?

Durante mais de quatro milênios, o estilo das pinturas permaneceu notavelmente consistente nas imagens (que retratam figuras humanas e animais, além de símbolos enigmáticos) e nas técnicas de aplicação de cores. Essa consistência, apesar de grandes mudanças ambientais e tecnológicas, levou os pesquisadores a concluírem que as obras transmitem a “cosmovisão” – a visão de mundo e a concepção do universo – daquela cultura.

A coautora do estudo, Carolyn Boyd, professora de antropologia da Texas State University, comparou os canyonlands a uma “antiga biblioteca contendo centenas de livros de autoria de 175 gerações de pintores”.

  • Tamanho e Complexidade: Muitos dos mais de 200 murais são enormes, com alguns medindo mais de 30 metros de comprimento e contendo centenas de imagens habilmente pintadas em rochas calcárias.

  • Regras Rígidas: As análises da iconografia indicaram que os artistas aderiram a um conjunto rigoroso de regras técnicas e convenções estilísticas estabelecidas, transmitindo, por exemplo, a mesma sequência na aplicação de tintas coloridas por diversas gerações.

Essa cosmovisão sofisticada dos caçadores-coletores nômades incluía histórias de criação, um conceito de tempo cíclico e sistemas de calendário complexos.

Conexões ancestrais

Os pesquisadores identificaram elementos desse sistema de crenças em civilizações mesoamericanas posteriores, como os Astecas, e em comunidades indígenas americanas modernas, como os Huichol do México.

“Essas pinturas podem ser o registro visual mais antigo sobrevivente da mesma cosmologia central que mais tarde moldou as civilizações mesoamericanas e se manifesta hoje em toda a América Indígena.” – Carolyn Boyd

A arte rupestre não é vista apenas como registro do passado, mas como divindades ancestrais vivas que ainda estão engajadas na criação e manutenção do cosmos pelos povos indígenas atuais.


Com informações: Live Science
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