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Olimpíadas de Inverno de 2022 revelam desafios de governança global em tempos de pandemia e tensões internacionais, aponta Bell Ivanesciuc, especialista brasileira

Olimpíadas de Inverno de 2022 revelam desafios de governança global em tempos de pandemia e tensões internacionais, aponta Bell Ivanesciuc, especialista brasileira

Redação
Por: Redação
04/03/2022 às 23h45 Atualizada em 05/03/2022 às 02h45
Olimpíadas de Inverno de 2022 revelam desafios de governança global em tempos de pandemia e tensões internacionais, aponta Bell Ivanesciuc, especialista brasileira
Foto: Reprodução
Entre 4 e 20 de fevereiro de 2022, em plena pandemia e sob um cenário global de tensões políticas e econômicas, a China sediou os Jogos Olímpicos de Inverno de Beijing 2022, reunindo atletas de mais de 90 países. Embora os holofotes estivessem voltados para as competições esportivas, o evento se tornou um dos episódios mais representativos das transformações em curso na ordem internacional. Para compreender os impactos jurídicos, geopolíticos e ambientais do evento, o Fato Novo ouviu a advogada Bell Ivanesciuc, especialista em Direito Internacional, Governança Sustentável e Regulação Global, que analisou como os Jogos de 2022 foram muito mais do que uma competição,  foram um palco de diplomacia, disputas de narrativa e debates sobre sustentabilidade global.

Um evento esportivo em plena crise global

A realização das Olimpíadas em fevereiro de 2022 ocorreu em um momento particularmente sensível: (i) o mundo ainda convivia com variantes da COVID-19, (ii) cadeias de suprimentos estavam instáveis, (iii) países discutiam protocolos sanitários e fronteiras, (iv) e tensões internacionais aumentavam, especialmente entre China, Estados Unidos e Europa. Para Ivanesciuc:
“Os Jogos representaram um teste diplomático para a China e para a comunidade internacional. Em um cenário de pandemia e tensão geopolítica, o evento evidenciou o quanto esportes, direito internacional, saúde pública e governança global estão interligados.”

Diplomacia esportiva e tensões internacionais

Os Jogos de Beijing foram marcados por debates diplomáticos importantes, incluindo: (i) discussões sobre direitos humanos, (ii) ausência de delegações diplomáticas de alguns países (boicotes diplomáticos), (iii) pressão sobre padrões de transparência sanitária, (iv) questionamentos sobre governança ambiental e social. A especialista analisa:
“As Olimpíadas mostraram que eventos esportivos de grande porte se tornaram arenas de debate sobre legitimidade internacional. Decisões de participação diplomática, regras sanitárias e compromissos ambientais passam por um filtro jurídico e geopolítico que vai além do esporte.”

Sustentabilidade: promessa e desafio dos Jogos de 2022

A China prometeu realizar os “Jogos mais sustentáveis da história”, com uso de energia renovável e compensação de carbono. Contudo, houve debates internacionais sobre: (i) uso de neve artificial em grandes proporções, (ii) consumo hídrico em áreas secas, (iii) impactos ambientais de estruturas construídas especificamente para o evento, (iv) e divergências metodológicas na medição de emissões. Para Ivanesciuc:
“Os Jogos expuseram um dilema global: como conciliar megaeventos com metas de sustentabilidade? Não basta declarar neutralidade de carbono; é preciso padronizar critérios internacionais, garantir transparência de dados e fortalecer instrumentos jurídicos que validem compromissos ambientais.”

O papel da China e os reflexos no sistema internacional

A realização das Olimpíadas posicionou a China no centro de debates sobre: (i) soft power, (ii) diplomacia multilateral, (iii) padrões de governança ambiental, (iv) e capacidades de resposta sanitária. Segundo a especialista:
“A China usou os Jogos como vitrine internacional, mas também enfrentou escrutínio jurídico e político. Isso reforça que governança global, comércio internacional, proteção ambiental e responsabilidade estatal estão cada vez mais entrelaçados.”

E o que o Brasil aprende com isso?

Ivanesciuc destaca que o Brasil pode extrair lições importantes do evento: (i) a necessidade de alinhar sustentabilidade a políticas públicas; (ii) a importância da diplomacia ambiental; (iii) a relevância de cadeias sustentáveis em grandes eventos; (iv) e o potencial do país para liderar agendas climáticas globais.
“O Brasil tem vantagens naturais e institucionais, mas precisa investir em credibilidade ambiental e jurídica para se posicionar de forma estratégica na governança global.”

Três pontos-chave revelados pelas Olimpíadas de Beijing 2022

1. Saúde pública como ferramenta de Direito Internacional

Protocolos sanitários rígidos evidenciaram como pandemias impactam mobilidade, diplomacia e cooperação global.

2. Sustentabilidade como critério de legitimidade

Megaeventos agora são julgados por sua pegada ambiental e pela transparência de seus compromissos.

3. Geopolítica presente em todos os fóruns internacionais

Boicotes diplomáticos e disputas narrativas marcaram o evento, confirmando que esporte e política são indissociáveis.
Da Redação
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