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O ‘Tecnofeudalismo’ e a concentração de poder nas Big Techs

O ‘Tecnofeudalismo’ e a concentração de poder nas Big Techs

Redação
Por: Redação
12/12/2025 às 20h00 Atualizada em 12/12/2025 às 23h00
O ‘Tecnofeudalismo’ e a concentração de poder nas Big Techs
Foto: Reprodução
Proposta pelo economista Yanis Varoufakis, a tese do Tecnofeudalismo sugere que o capitalismo tradicional está sendo substituído por um novo regime onde as plataformas digitais e a infraestrutura de nuvem (cloud) dominam, extraindo “renda da nuvem” (cloud rent) em vez de lucros baseados na produção mercantil. Segundo Varoufakis, as big techs atuam como "senhores feudais de um território invisível" sobre o qual controlam algoritmos e dados, transformando usuários e trabalhadores plataformizados em "servos da nuvem"

A Nova Lógica de Acumulação e Concentração ☁️

Varoufakis argumenta que a crise de 2008 e a expansão do que ele chama de “capital em nuvem” aceleraram essa transição. A infraestrutura física do capital foi transformada em redes digitais para captura de dados, permitindo a concentração de valor em poucas corporações.

  • Concentração de Mercado: Dados recentes mostram a concretização dessa concentração. O setor global de infraestrutura de nuvem (IaaS) atingiu US$ 171,8 bilhões em 2024. As três maiores empresas do setor — Amazon Web Services (AWS), Microsoft Azure e Google Cloud — controlam entre 62% e 66% desse mercado.

  • Economia Plataformizada: Plataformas como a Amazon cobram "aluguel digital" de vendedores e exercem controle absoluto sobre as condições de venda. A lógica de rentismo, baseada na atenção e em métricas algorítmicas, mina direitos trabalhistas.

O Trabalho Plataformizado no Brasil ??

A extração de valor por meio do trabalho plataformizado é observada de forma concreta no Brasil. Segundo o IBGE (PNAD Contínua), o país tinha cerca de 1,7 milhão de pessoas ocupadas em trabalhos mediados por aplicativos (transporte, entregas etc.) no terceiro trimestre de 2024.

  • Informalidade e Crescimento: Entre 2022 e 2024, o número de trabalhadores plataformizados cresceu 25,4%, sendo que 71,1% deles estavam em situação informal, trabalhando em jornadas mais longas sob a lógica do “empreendedorismo pessoal”.

Críticas e Alternativas Conceituais ?

A tese do tecnofeudalismo não é unânime. Alguns analistas argumentam que o fenômeno representa uma intensificação das dinâmicas de exploração capitalista adaptadas ao digital, e não um rompimento. Críticos também questionam a validade da analogia com o feudalismo histórico, que se baseava em relações estamentais e de propriedade material distintas do capitalismo moderno.

Como formas de superar esse paradigma, Varoufakis sugere:

  • Criar marcos legais para limitar o poder das plataformas sobre dados e infraestrutura.

  • Reinventar a internet como bem comum, com governança coletiva.

  • Formular mecanismos para evitar a concentração de renda e garantir a justiça social.


Com informações: Revista Fórum

 
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