
Historicamente, os pumas foram expulsos da costa da Patagônia por criadores de ovelhas no século XX. Na ausência de seu principal predador, os pinguins-de-magalhães (Spheniscus magellanicus) estabeleceram uma colônia massiva no continente, com cerca de 40.000 casais, em vez de ficarem restritos a ilhas isoladas.
Com a criação do parque em 2004 e o retorno dos pumas, um fenômeno novo surgiu: os felinos descobriram a colônia de pinguins como uma fonte de alimento inesgotável e de baixo risco.
Os pumas são conhecidos por serem animais estritamente solitários e territoriais, exigindo grandes áreas para evitar a competição por comida. No entanto, o estudo liderado por pesquisadores da UC Berkeley e Duke Farms trouxe dados surpreendentes:
Densidade Populacional: A concentração de pumas no parque é agora mais do que o dobro da maior marca já registrada anteriormente na Argentina.
Interações Sociais: Os pesquisadores documentaram 254 encontros entre pumas que se alimentam de pinguins, contra apenas quatro encontros entre pumas que caçam presas tradicionais (como guanacos).
Proximidade: A maioria dessas interações ocorreu a menos de 1 km da colônia de pinguins.
A teoria dos ecologistas é que a abundância extrema de alimento reduz a necessidade de agressividade territorial. Quando a comida não é um recurso escasso, o custo de tolerar a presença de outro indivíduo diminui drasticamente.
O comportamento dos pumas agora está sincronizado com o ciclo de vida dos pinguins. O estudo rastreou 14 indivíduos com coleiras GPS e observou:
Época de Reprodução: Durante os meses em que os pinguins estão na costa para chocar ovos e criar filhotes, os pumas permanecem em áreas restritas próximas à praia.
Período de Migração: Quando as aves migram para o mar durante o verão, os pumas "comedores de pinguins" expandem seu território em cerca de duas vezes para buscar outras presas.
Este fenômeno ilustra que restaurar a vida selvagem em ambientes alterados por humanos não é simplesmente "voltar no tempo". A reintrodução de predadores pode criar dinâmicas ecológicas totalmente novas.
Gestão de Áreas Protegidas: O desafio para os gestores do parque é equilibrar a conservação de duas espécies nativas. Embora a colônia de 40.000 casais suporte a predação atual, colônias menores de pinguins podem ser dizimadas por essa nova adaptação dos pumas.
Efeito em Outras Presas: A equipe agora pretende estudar se essa "preferência" por pinguins alivia a pressão de caça sobre os guanacos, mudando novamente a balança do ecossistema local.