
Durante a sessão plenária da 67ª Cúpula do Mercosul, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que uma eventual intervenção armada na Venezuela representaria uma catástrofe humanitária para o Hemisfério Sul. Em seu pronunciamento, o líder brasileiro ressaltou que a soberania das nações enfrenta hoje desafios que se manifestam sob a forma de guerra, práticas antidemocráticas e o avanço do crime organizado.
Lula aproveitou o encontro para sugerir iniciativas de cooperação entre os países membros. Ao Uruguai, propôs uma reunião específica para discutir estratégias conjuntas de segurança e fortalecimento do combate às organizações criminosas. Já ao presidente do Paraguai, Santiago Peña, que assumirá a presidência temporária do bloco, Lula solicitou a promoção de um pacto regional pelo fim do feminicídio e da violência contra as mulheres.
A agenda social também incluiu a menção às políticas de proteção de crianças no ambiente digital, tema que recebeu destaque durante o período em que o Brasil esteve à frente do bloco. O presidente reforçou a necessidade de união entre os vizinhos para enfrentar problemas que extrapolam as fronteiras nacionais.
Em um momento de descontração, Lula fez referência ao recente apagão ocorrido na região metropolitana de São Paulo. Ao comentar que os chefes de Estado poderiam estender seus discursos além do tempo previsto, ironizou a concessionária Enel, afirmando que o que não poderia faltar era energia durante o evento.
Tensão
A Venezuela e os Estados Unidos vivem atualmente uma situação de tensão e há o temor de que escale para o conflito armado. “Passadas mais de quatro décadas desde a Guerra das Malvinas, o continente sul-americano volta a ser assombrado pela presença militar de uma potência extrarregional. Os limites do direito internacional estão sendo testados. Uma intervenção armada na Venezuela seria uma catástrofe humanitária para o hemisfério e um precedente perigoso para o mundo”, disse Lula em discurso na abertura 67ª Reunião de Chefes de Estado do Mercosul e Estados Associados, em Foz do Iguaçu (PR).
Com informações: Agência Brasil e Estadão Conteúdo.