
Uma recente expedição científica nas florestas de Samoa renovou as esperanças de conservacionistas ao confirmar a presença do manumea (Didunculus strigirostris), uma ave criticamente ameaçada e considerada o parente vivo mais próximo do extinto dodô. Durante a pesquisa de campo realizada pela Samoa Conservation Society (SCS), entre outubro e novembro de 2025, a equipe relatou cinco avistamentos da espécie, um número significativamente superior aos registros de anos anteriores.
O manumea, também conhecido como "pequeno dodô" devido ao seu bico curvado e parentesco genético, é a única espécie viva de seu gênero. No início da década de 1990, a população era estimada em 7.000 aves, mas a destruição do habitat e a introdução de predadores invasores reduziram drasticamente esse número para uma estimativa de apenas 50 a 150 indivíduos em 2024.
Apesar dos múltiplos avistamentos, a equipe não conseguiu capturar novas fotografias nítidas do animal. Segundo os pesquisadores, a ave é extremamente arisca e rápida, desaparecendo na vegetação densa assim que os cientistas trocam os binóculos pelas câmeras. A última fotografia oficial da espécie na natureza data de 2013.
Especialistas da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) e do Zoológico de Toledo alertam que o maior perigo atual não é mais a caça, que foi proibida, mas sim as espécies invasoras:
Gatos Selvagens: Principal causa do declínio, caçam tanto as aves adultas quanto os filhotes.
Ratos: Alimentam-se dos ovos nos ninhos, impedindo a renovação da população.
Para evitar que o manumea siga o mesmo destino do dodô, diversas organizações internacionais estão unindo forças. As estratégias incluem:
Controle de Predadores: Expansão de programas de manejo de gatos e ratos nas florestas remotas de Uafato.
Tecnologia Acústica: Uso de aplicativos para distinguir o canto do manumea e obter censos mais precisos.
Biobanco: Preservação de material genético para estudos e potencial reprodução em cativeiro no futuro.
Empresas de biotecnologia, como a Colossal Biosciences — conhecida por projetos de "desextinção" —, também apoiam os esforços para garantir que a linhagem do manumea não desapareça definitivamente, focando primeiro na restauração do ecossistema e na proteção dos indivíduos que ainda restam em Samoa.