
O governo do Reino Unido intensificou a repressão contra o grupo ativista Palestine Action após classificá-lo como organização terrorista em julho de 2025. Desde então, uma onda de detenções atingiu não apenas os membros operacionais da organização, mas também cidadãos que expressaram apoio público à causa. Entre os detidos está a ativista sueca Greta Thunberg, presa em Londres na última segunda-feira (22) por segurar um cartaz de apoio ao grupo. Embora Greta tenha sido liberada, o cenário para outros manifestantes é mais severo.
Fundada em 2020, a Palestine Action foca suas ações na Elbit Systems, a maior fabricante de armas de Israel, que possui diversas unidades operacionais em solo britânico. Os ativistas argumentam que o objetivo é interromper a cadeia de suprimentos militar que alimenta o conflito na Faixa de Gaza.
A situação nas prisões britânicas é crítica. Oito membros do grupo iniciaram uma greve de fome em protesto contra as detenções. Dois deles precisaram ser hospitalizados após 40 dias sem alimentação. Além dos ataques diretos às fábricas, a polícia tem detido centenas de pessoas por manifestações silenciosas em frente aos tribunais.
Caso Zoe Cohen: A ativista judia de 55 anos foi uma das 531 pessoas presas no mês passado diante do Tribunal Real de Justiça. Ela descreveu a experiência como "distópica", questionando o uso da lei antiterrorista para suprimir a liberdade de expressão.
Estatísticas de Repressão: Até setembro, 1.630 prisões haviam sido registradas. Com os protestos recentes, o número ultrapassou 2.500 detidos. Pelo menos 254 pessoas já foram formalmente indiciadas.
Organizações internacionais e familiares de ativistas têm demonstrado indignação com a postura do governo britânico. Clare Hinchcliffe, mãe de uma das rés, classificou como "abominável" o fato de o Reino Unido considerar oferecer contratos bilionários à Elbit Systems enquanto criminaliza quem se opõe ao fornecimento de armas.
Tom Southerden, diretor da Anistia Internacional, alertou que a decisão do governo ameaça transformar o ato de protestar em um crime comum. Para a organização, a normalização da ideia de que o protesto é uma ameaça à segurança nacional coloca em xeque os fundamentos democráticos do país. Atualmente, seis ativistas enfrentam julgamento por invasão de propriedade e danos materiais, alegando que agiram para defender o direito internacional.
Com informações: Opera Mundi e Haaretz.