
No dia 27 de dezembro de 1985, o mundo da ciência foi abalado pela notícia da morte de Dian Fossey. A pesquisadora foi encontrada morta em sua cabana no Centro de Pesquisa Karisoke, nas montanhas Virunga, em Ruanda. O crime, executado com golpes de facão, permanece sem um culpado identificado até hoje, embora a cabana tenha sido saqueada no momento do ataque.
Fossey começou seu trabalho com gorilas das montanhas no final da década de 1960. Ela fazia parte de um grupo seleto de pesquisadoras conhecidas como trimates, escolhidas por Louis Leakey para estudar primatas em liberdade. Sem formação inicial em comportamento animal, ela iniciou suas atividades no Congo e depois se mudou para Ruanda devido aos conflitos civis na região vizinha.
Durante décadas, Dian documentou estruturas familiares, rituais de acasalamento e vocalizações dos gorilas. Ela ficou famosa por sua capacidade de imitar os sons dos animais para ganhar sua confiança, descrevendo-os muitas vezes como seres mais altruístas que os próprios humanos. Seu vínculo mais forte foi com um gorila chamado Digit, cuja morte por caçadores em 1977 mudou drasticamente a postura da cientista.
Nos anos finais de sua vida, Fossey adotou métodos agressivos para proteger os habitats. Ela queimava armadilhas de caçadores, usava máscaras para assustá-los e chegava a pintar o gado de pastores locais para evitar que entrassem no parque nacional. Essas táticas geraram grande hostilidade entre as comunidades locais que viviam na pobreza e dependiam daquelas terras para subsistência. Embora controversa, sua atuação é considerada fundamental para que a espécie não tenha sido extinta no século passado.