
O Departamento de Defesa dos Estados Unidos, sob a nova orientação de Pete Hegseth — que se autodenomina "Secretário da Guerra" —, intensificou o armazenamento de minerais críticos, distanciando-se de pautas ambientais. Enquanto Hegseth afirma que a agência não será "distraída" pelas mudanças climáticas, um relatório do Transition Security Project revela que o Pentágono está acumulando vastas reservas de materiais essenciais para a transição energética. Através da lei One Big Beautiful Bill, o governo Trump destinou US$ 7,5 bilhões para reforçar estoques de cobalto, lítio e grafite, recursos fundamentais tanto para baterias de veículos elétricos quanto para sistemas de armas avançados.
Esses materiais ficam sob a custódia da Agência de Logística de Defesa (DLA) e só podem ser acessados em tempos de guerra declarada. Especialistas alertam que essa estratégia cria uma competição direta por recursos: o volume de cobalto e grafite planejado para o arsenal militar seria suficiente para eletrificar mais de 100 mil ônibus ou dobrar a capacidade atual de armazenamento de energia da rede elétrica dos EUA.
A definição de "mineral crítico" está historicamente ligada à segurança nacional, mas esses mesmos elementos são os pilares das tecnologias verdes.
O Dilema da Escolha: A estrategista Lorah Steichen resume a situação como uma escolha entre "mísseis ou ônibus". O uso militar consome esses recursos em tecnologias que são frequentemente destruídas (como bombas), enquanto o uso civil permite a reciclagem e o reuso de materiais como o lítio.
Segurança vs. Economia: Um relatório de 2021 do próprio Departamento de Defesa admitiu que, se a cadeia de suprimentos de terras raras for interrompida, a economia civil sofrerá o maior impacto para garantir o suprimento militar.
Dependência Externa: O esforço de armazenamento visa reduzir a dependência da China, que atualmente domina o mercado global de processamento desses minerais.
O setor militar é o maior emissor institucional de gases de efeito estufa do mundo, respondendo por cerca de 80% das emissões do governo dos EUA. No entanto, o Pentágono não é obrigado a relatar detalhadamente suas emissões ou o volume exato de minerais que consome em sua rede de fornecedores.
| Mineral | Meta de Estoque Militar | Potencial de Uso Civil (Equivalente) |
| Cobalto | 7.500 toneladas métricas | Eletrificação de frota de ônibus e baterias |
| Grafite | 50.000 toneladas métricas | Armazenamento de energia em larga escala |
| Lítio | Volumes não divulgados | 80,2 GW/h de capacidade de bateria |
Geógrafos e pesquisadores questionam a sustentabilidade desse modelo. Ao contrário dos combustíveis fósseis, que são queimados, os minerais usados em baterias civis formam um estoque "circular" que pode ser recuperado. O armazenamento militar, focado em prontidão para o combate, retira esses materiais do ciclo produtivo e econômico, potencialmente elevando os custos da transição energética global e atrasando metas climáticas essenciais.