
A Venezuela vive um momento de extrema tensão após a captura do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, por forças dos Estados Unidos no último dia 3 de janeiro. Apesar dos bombardeios em Caracas e da exibição de Maduro em Nova York, as instituições do Estado venezuelano mantêm-se operacionais. O Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) ordenou que a vice-presidenta Delcy Rodríguez assuma a presidência de forma encarregada para garantir a continuidade administrativa e a defesa da nação diante da situação excepcional de força maior.
A Força Armada Nacional Bolivariana (FANB) também manifestou total apoio à decisão do TSJ, reconhecendo Rodríguez como autoridade máxima e ativando a fusão popular-militar-policial para enfrentar a agressão estrangeira. Enquanto isso, fontes próximas ao governo Donald Trump sugerem nomes estadunidenses, como Marco Rubio e Stephen Miller, para uma possível administração direta do país vizinho, ignorando lideranças locais e intensificando a crise diplomática na América Latina.
A resposta interna ao ataque foi marcada pela coesão entre civis e militares:
Judiciário: O TSJ interpretou artigos constitucionais para legitimar a sucessão temporária por Delcy Rodríguez.
Militar: O General Vladimir Padrino López rechaçou o sequestro e declarou Estado de Comoção Exterior em todo o território.
Popular: Milhares de venezuelanos ocuparam a avenida Urdaneta e as imediações do Palácio Miraflores em apoio ao governo e pela liberdade de Maduro.
Especialistas e historiadores apontam três motivos centrais para a ação militar dos Estados Unidos:
Controle de Recursos: A urgência na apropriação das reservas de petróleo da Venezuela, estimadas em mais de 300 bilhões de barris.
Influência da China: Evitar a consolidação de acordos estratégicos entre Pequim e Caracas previstos para 2026, que incluiriam a exploração de minerais raros e adesão à Organização de Cooperação de Xangai.
Simbolismo Político: O uso da data de 3 de janeiro, mesmo dia da invasão do Panamá em 1989, como um recado de subordinação a governos do México, Colômbia e Brasil.
O cenário atual coloca em xeque a ordem mundial unipolar. A articulação de medidas concretas por parte dos Brics é considerada fundamental para frear novas investidas e garantir a soberania dos povos. Para o Brasil, o posicionamento em defesa da autodeterminação venezuelana é visto como essencial para proteger a própria democracia e fortalecer a emergência de uma ordem multipolar baseada na paz e na cooperação internacional.
Com informações: Brasil de Fato