
A Blue Origin anunciou na última sexta-feira (30) uma pausa estratégica em seus voos turísticos com o foguete New Shepard. O veículo, que ficou famoso por levar nomes como William Shatner e a cantora Katy Perry ao limite do espaço, ficará em solo por pelo menos 24 meses.
O motivo não é técnico, mas financeiro e operacional: a empresa quer concentrar todos os seus esforços no contrato de US$ 3,4 bilhões com a NASA para o programa Artemis. A meta é desenvolver o módulo de pouso que levará astronautas à superfície lunar ainda nesta década.
Até agora, o New Shepard foi um sucesso de visibilidade:
98 passageiros levados acima da Linha de Kármán (100 km de altitude).
38 lançamentos realizados a partir do Texas.
200 cargas científicas transportadas para universidades e centros de pesquisa.
A decisão da Blue Origin ocorre em um momento de pressão política e técnica. O governo de Donald Trump estabeleceu uma meta ambiciosa para o lançamento da missão Artemis III (o primeiro pouso tripulado) até o fim de 2028.
Com os atrasos enfrentados pela SpaceX de Elon Musk — que detém o contrato para as primeiras missões de pouso —, a NASA solicitou que a Blue Origin acelerasse seu cronograma. Originalmente, o veículo de Bezos só entraria em cena na missão Artemis V, na década de 2030.
Enquanto o pequeno New Shepard descansa, a empresa foca no New Glenn, seu foguete de carga pesada. No ano passado, a Blue Origin conseguiu recuperar com sucesso o primeiro estágio do New Glenn em uma balsa no oceano, uma tecnologia essencial para tornar as missões lunares financeiramente viáveis através da reutilização de hardware.
"A prioridade agora é o sistema de pouso humano, considerado estratégico dentro do cronograma da agência espacial americana", afirmou a companhia em nota.
Com informações: Olhar Digital / NASA / Reuters