
A Acadêmicos de Niterói levou para a avenida o enredo “Do alto do Mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”. A apresentação foi uma exaltação direta à história do petista, omitindo pontos controversos de sua biografia, como as investigações de corrupção, e focando na imagem do líder nordestino e operário.
A presença de Lula na pista, cercado por apoiadores após descer do camarote, simbolizou o risco político assumido pelo governo. No entanto, o recuo da primeira-dama Janja, que desistiu de desfilar na última hora, e a ausência de ministros na pista sugerem que o núcleo jurídico do Planalto tentou mitigar possíveis acusações de crime eleitoral.
O momento de maior tensão foi a passagem de uma alegoria que retratava um palhaço com tornozeleira eletrônica. A oposição interpretou o gesto como uma provocação direta ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
Michelle Bolsonaro reagiu prontamente: “Quem foi preso por corrupção foi Luiz Inácio Lula da Silva. Isso é registro judicial e não opinião”.
Sergio Moro e Nikolas Ferreira classificaram o desfile como "propaganda eleitoral antecipada" custeada com dinheiro público, termo que deve fundamentar as novas ações na Justiça.
Romeu Zema criticou uma ala que supostamente satirizava evangélicos, classificando-a como "preconceito religioso inadmissível".
A oposição, que já havia tentado barrar o desfile preventivamente, agora promete uma ofensiva para pedir a inelegibilidade de Lula. O argumento central baseia-se em dois pilares:
Propaganda Antecipada: O uso de um evento de massa para promoção pessoal e eleitoral antes do período permitido por lei.
Uso de Recursos Públicos: O questionamento sobre o repasse de verbas oficiais para uma agremiação que produziu um conteúdo de cunho político-partidário.
Do lado do governo, a estratégia foi de exaltação. Parlamentares como Maria do Rosário e Humberto Costa celebraram o desfile como uma reparação histórica e uma homenagem legítima à cultura popular. Houve ainda críticas à cobertura televisiva, com petistas acusando a Rede Globo de tentar "esconder" a magnitude da homenagem.
O Carnaval de 2026 termina com a certeza de que a polarização não respeita o feriado. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) deve ser o próximo cenário desse desfile, onde se decidirá se a Acadêmicos de Niterói cruzou a linha entre a liberdade de expressão artística e a infração eleitoral.
Palavras-Chave: Lula Sapucaí 2026, Acadêmicos de Niterói crime eleitoral, política no Carnaval.