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ECA Digital: Brasil discute como verificar idade na internet sem sacrificar a privacidade

Especialistas se reúnem em São Paulo para debater a implementação da nova lei; Natália Paiva alerta que “não existe solução única” e que proteção não pode virar vigilância excessiva.

Redação
Por: Redação Fonte: Alandar Consultoria / SaferNet Brasil
18/02/2026 às 19h00
ECA Digital: Brasil discute como verificar idade na internet sem sacrificar a privacidade

A partir deste mês, o Estatuto da Criança e do Adolescente no ambiente digital (ECA Digital) impõe novas responsabilidades às plataformas e ao Estado. O grande nó tecnológico discutido nesta quarta-feira (11) pela SaferNet Brasil é a verificação etária: como as empresas podem ter certeza de que um usuário é criança ou adolescente sem exigir documentos sensíveis ou reconhecimento facial invasivo de todos os brasileiros?

A mediação de Natália Paiva, uma das vozes mais influentes em políticas públicas da América Latina, reforça que o Brasil vive um momento de pressão por respostas rápidas. No entanto, o painel — que contou com gigantes como Roblox e Discord, além da Serasa Experian — alertou que soluções apressadas podem gerar exclusão digital e coleta desnecessária de dados.

Os 5 Pilares da Proteção Responsável

Segundo Natália Paiva, a implementação do ECA Digital deve seguir diretrizes claras para não prejudicar o usuário:

  1. Múltiplas Camadas: A segurança deve vir do desenho do produto (apps feitos para crianças) e controles parentais, deixando a identificação formal apenas para casos extremos.

  2. Privacidade Inegociável: Proteger os jovens não justifica a normalização da vigilância digital permanente.

  3. Proporcionalidade: A lei define o dever, mas a técnica precisa ser segura. Não se pode usar um "canhão para matar uma formiga" em termos de coleta de dados.

  4. Evitar a Exclusão: Soluções rígidas demais podem impedir que jovens de baixa renda, que talvez não tenham documentos digitais fáceis, acessem conteúdos educativos.

  5. Responsabilidade Compartilhada: O Estado, as empresas e as famílias do DF e Entorno precisam atuar juntos.

O Papel das Plataformas em 2026

Empresas como Roblox e Discord estão sob os holofotes. Por serem espaços de grande interação entre jovens, elas são as primeiras a testar tecnologias de estimativa de idade baseadas em inteligência artificial (que analisa padrões de comportamento sem identificar a pessoa) e integração com IDs digitais.

O que muda para os pais no DF?

Com o ECA Digital, os pais terão mais ferramentas legais para cobrar transparência das empresas. No entanto, como destaca Paiva, a tecnologia não substitui a mediação familiar.

  • Fiscalização: As plataformas serão obrigadas a oferecer mecanismos mais robustos de controle parental.

  • Segurança de Dados: O cuidado com o que as empresas coletam dos seus filhos passa a ser uma obrigação legal rigorosa.

A Alandar Consultoria e a SaferNet reforçam que o "aftermarket" da lei — ou seja, como ela será aplicada no dia a dia das oficinas digitais — será o grande tema de 2026.


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