
A partir deste mês, o Estatuto da Criança e do Adolescente no ambiente digital (ECA Digital) impõe novas responsabilidades às plataformas e ao Estado. O grande nó tecnológico discutido nesta quarta-feira (11) pela SaferNet Brasil é a verificação etária: como as empresas podem ter certeza de que um usuário é criança ou adolescente sem exigir documentos sensíveis ou reconhecimento facial invasivo de todos os brasileiros?
A mediação de Natália Paiva, uma das vozes mais influentes em políticas públicas da América Latina, reforça que o Brasil vive um momento de pressão por respostas rápidas. No entanto, o painel — que contou com gigantes como Roblox e Discord, além da Serasa Experian — alertou que soluções apressadas podem gerar exclusão digital e coleta desnecessária de dados.
Segundo Natália Paiva, a implementação do ECA Digital deve seguir diretrizes claras para não prejudicar o usuário:
Múltiplas Camadas: A segurança deve vir do desenho do produto (apps feitos para crianças) e controles parentais, deixando a identificação formal apenas para casos extremos.
Privacidade Inegociável: Proteger os jovens não justifica a normalização da vigilância digital permanente.
Proporcionalidade: A lei define o dever, mas a técnica precisa ser segura. Não se pode usar um "canhão para matar uma formiga" em termos de coleta de dados.
Evitar a Exclusão: Soluções rígidas demais podem impedir que jovens de baixa renda, que talvez não tenham documentos digitais fáceis, acessem conteúdos educativos.
Responsabilidade Compartilhada: O Estado, as empresas e as famílias do DF e Entorno precisam atuar juntos.
Empresas como Roblox e Discord estão sob os holofotes. Por serem espaços de grande interação entre jovens, elas são as primeiras a testar tecnologias de estimativa de idade baseadas em inteligência artificial (que analisa padrões de comportamento sem identificar a pessoa) e integração com IDs digitais.
Com o ECA Digital, os pais terão mais ferramentas legais para cobrar transparência das empresas. No entanto, como destaca Paiva, a tecnologia não substitui a mediação familiar.
Fiscalização: As plataformas serão obrigadas a oferecer mecanismos mais robustos de controle parental.
Segurança de Dados: O cuidado com o que as empresas coletam dos seus filhos passa a ser uma obrigação legal rigorosa.
A Alandar Consultoria e a SaferNet reforçam que o "aftermarket" da lei — ou seja, como ela será aplicada no dia a dia das oficinas digitais — será o grande tema de 2026.
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