
A Unidos do Viradouro sagrou-se a grande campeã do Carnaval do Rio de Janeiro em 2026. O resultado oficial foi confirmado na tarde desta quarta-feira (18/02), após a apuração das notas do Grupo Especial realizada na Cidade do Samba, na região portuária. A agremiação de Niterói alcançou a pontuação máxima de 270 pontos, garantindo a taça com uma vantagem mínima sobre as concorrentes.
O enredo deste ano, intitulado "Pra cima, Ciça!", prestou uma homenagem em vida a Moacyr da Silva Pinto, o Mestre Ciça, que celebrou 50 anos de trajetória na folia carioca. A apresentação na Marquês de Sapucaí foi marcada por inovações rítmicas na bateria e uma estética visual rigorosa, elementos que garantiram a nota máxima em quesitos fundamentais para a vitória.
A corrida pela taça foi caracterizada por um equilíbrio técnico extremo entre as agremiações. Enquanto a Viradouro atingiu o topo da tabela, a Beija-Flor de Nilópolis e a Unidos de Vila Isabel terminaram empatadas na sequência, ambas com 269.9 pontos. A definição das posições de pódio seguiu os critérios de desempate estabelecidos pela LIESA antes do início dos desfiles.
O corpo de jurados, composto por 54 integrantes, avaliou nove quesitos: Comissão de Frente, Bateria, Mestre-Sala e Porta-Bandeira, Alegorias e Adereços, Harmonia, Fantasia, Enredo, Evolução e Samba-Enredo. A regularidade da vermelho e branco de Niterói em todos os módulos de julgamento permitiu que a escola retomasse o posto de campeã apenas dois anos após sua última conquista, em 2024.
As escolas de maior tradição histórica apresentaram resultados variados no ranking de 2026. A Estação Primeira de Mangueira, detentora de 20 títulos, encerrou a competição em 6º lugar, garantindo a última vaga para o Desfile das Campeãs. Já a Portela, maior campeã do Rio com 22 títulos, terminou na 10ª colocação, ficando fora das apresentações festivas de sábado.
No extremo oposto da tabela, a Acadêmicos de Niterói foi a rebaixada da vez. Com 264.6 pontos, a agremiação, que apresentou um enredo em homenagem ao Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, ficou na última posição. Em 2027, a escola disputará a Série Ouro, buscando o retorno à elite do Carnaval carioca após um ciclo de avaliações rigorosas sobre sua evolução em pista.
A evolução e a bateria foram os pilares que sustentaram a vitória da Viradouro. Especialistas apontam que a escola conseguiu manter um canto linear e uma ocupação de pista sem falhas, o que evitou penalidades em quesitos que costumam retirar décimos preciosos. A bateria de Mestre Ciça, o próprio homenageado, obteve aclamação tanto do público quanto dos avaliadores técnicos.
A Comissão de Frente também foi um ponto alto, utilizando recursos visuais que dialogavam com a história do mestre homenageado. A precisão técnica demonstrada pela agremiação reforça uma tendência de profissionalização severa nos barracões, onde o investimento em tecnologia e ensaios exaustivos se tornou o diferencial para quem busca o campeonato no cenário atual.
As seis agremiações mais bem colocadas — Viradouro, Beija-Flor, Vila Isabel, Salgueiro, Imperatriz e Mangueira — retornarão à Marquês de Sapucaí neste sábado (21/02). O evento seguirá a ordem inversa da classificação, começando pela Mangueira e terminando com a grande campeã. A Unidos do Viradouro encerrará as festividades já na madrugada de domingo (22/02).
O Desfile das Campeãs é um momento de celebração livre da pressão do julgamento. A expectativa da organização é de que o Sambódromo receba lotação máxima para prestigiar a escola de Niterói. O título de 2026 consolida a Viradouro como uma das potências dominantes do Carnaval contemporâneo, acumulando quatro títulos de expressão em sua história.
Como ocorre anualmente, o resultado gerou debates entre dirigentes. Algumas agremiações questionaram os critérios de avaliação em quesitos subjetivos, como Enredo e Fantasia. Por outro lado, a Liga Independente das Escolas de Samba (LIESA) defende a transparência do processo e a qualificação dos jurados. Os mapas de notas serão disponibilizados para consulta pública conforme o protocolo oficial.
Representantes da Acadêmicos de Niterói lamentaram o descenso e indicaram que farão uma revisão estrutural para a próxima temporada. Enquanto isso, em Niterói, a festa da vitória destaca a importância de celebrar as figuras que constroem a identidade do samba, elevando o patamar cultural do evento para além da competição comercial e focando na herança histórica das comunidades.