
Em visita oficial à Índia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu que o desenvolvimento da inteligência artificial (IA) deve estar subordinado ao interesse da sociedade e não concentrado nas mãos de poucas empresas. Em entrevista ao programa India Today, publicada nesta sexta-feira (20), Lula ressaltou que a tecnologia já impacta áreas vitais como medicina, produtividade industrial e segurança alimentar, mas alertou para a necessidade de uma governança multilateral.
"Nós não podemos permitir que a inteligência artificial possua um ou dois donos. Quem tem que assumir a inteligência artificial é a sociedade", afirmou o petista. O presidente sugeriu que as Nações Unidas (ONU) atuem como mediadoras de uma regulação global para garantir que os avanços tecnológicos melhorem as condições de trabalho e os serviços públicos em escala mundial.
Como eixo central da estratégia nacional, o governo destacou durante a viagem o Plano Brasileiro de Inteligência Artificial 2024-2028. Com investimento previsto de R$ 23 bilhões em quatro anos, o projeto foca em quatro pilares principais:
Formação e retenção de talentos;
Expansão da infraestrutura digital;
Soberania digital;
Inclusão social e desenvolvimento sustentável.
A meta é retirar o Brasil da posição de mero consumidor de tecnologias estrangeiras e transformá-lo em uma referência global no uso ético e soberano da IA.
Apesar dos novos investimentos, o Brasil enfrenta um cenário de contrastes no Índice Global de Maturidade Digital (IGMD). Atualmente na 42ª posição entre 100 países, o Brasil é classificado com nível "intermediário avançado" (nota 61,42).
[Table comparing Brazil's digital maturity indicators]
| Indicador | Nota | Status |
| Inclusão Digital | 70,4 | 88% da população com acesso à internet. |
| Governança Digital | 65,4 | Fortalecida pelo Gov.br e pela LGPD. |
| Capital Humano | 58,2 | Alerta: Fuga de cérebros estimada em 45%. |
| Soberania de Dados | 45,8 | Crítico: Dependência de 88% de nuvens estrangeiras. |
O relatório aponta que a falta de produção nacional de chips e a baixa capacidade de defesa cibernética são os maiores entraves para a autonomia tecnológica do país. A economia digital hoje representa 9,8% do PIB nacional, com o sistema Pix sendo o principal destaque positivo de inovação financeira.
Após os compromissos na Índia, que incluíram um encontro com o primeiro-ministro Narendra Modi, Lula segue viagem para a Coreia do Sul. A agenda em Seul, que começa na segunda-feira, deve focar em parcerias tecnológicas e atração de investimentos para a indústria de semicondutores, visando justamente atacar o indicador de soberania de dados, o ponto mais fraco da infraestrutura brasileira atual.