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Tartarugas gigantes retornam à Ilha Floreana após 180 anos de extinção

Reintrodução de 158 espécimes criados em cativeiro marca “marco histórico” em Galápagos; projeto utilizou “retro-cruzamento” para resgatar DNA de espécie declarada extinta no século XIX

Redação
Por: Redação Fonte: Galápagos Conservation Trust (GCT) / BBC
25/02/2026 às 21h00
Tartarugas gigantes retornam à Ilha Floreana após 180 anos de extinção

As tartarugas gigantes voltaram a caminhar pelas terras da Ilha Floreana, no arquipélago de Galápagos, pela primeira vez em mais de 180 anos. A soltura de 158 tartarugas jovens nesta semana foi celebrada por conservacionistas como um dos momentos mais emocionantes da história da biologia moderna.

A espécie nativa de Floreana, a Chelonoidis niger niger, foi levada à extinção por volta de 1840. Na época, marinheiros e baleeiros capturavam milhares desses animais para servirem de alimento durante longas viagens marítimas, devido à impressionante capacidade das tartarugas de sobreviverem por meses sem água ou comida nos porões dos navios.

Ciência Genética: Resgatando o passado

O retorno só foi possível graças a uma descoberta científica em 2008 no Vulcão Wolf, na vizinha Ilha Isabela. Lá, pesquisadores encontraram tartarugas híbridas que carregavam o DNA da espécie extinta de Floreana.

A partir de 2017, o Parque Nacional de Galápagos iniciou um programa de "retro-cruzamento":

  1. Seleção: Cientistas escolheram 23 tartarugas com a carga genética mais próxima da original.

  2. Cativeiro: Os animais foram levados para a Ilha Santa Cruz para reprodução controlada.

  3. Resultado: Em 2025, o programa já contava com mais de 600 filhotes, dos quais os primeiros 158 agora têm tamanho suficiente para enfrentar a vida selvagem.

Engenheiras do Ecossistema

O papel dessas gigantes vai muito além da preservação da espécie. Elas são consideradas "engenheiras de ecossistemas". Ao se movimentarem e se alimentarem, elas:

  • Espalham sementes de plantas nativas;

  • Moldam a paisagem, abrindo caminhos na vegetação;

  • Restauram o equilíbrio de ambientes que estavam degradados pela ausência de grandes herbívoros.

A Dra. Jen Jones, diretora executiva do Galápagos Conservation Trust (GCT), descreveu o momento como "de arrepiar", afirmando que o sucesso valida décadas de colaboração entre cientistas e a comunidade local. Este projeto serve agora de modelo para a restauração de outras ilhas ao redor do globo.


 

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