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Cazaquistão planta 37 mil árvores para trazer tigres de volta

Após 70 anos de extinção local, o país prepara o habitat no Lago Balkhash para receber os primeiros felinos selvagens da Rússia ainda no primeiro semestre de 2026

Redação
Por: Redação Fonte: Live Science / WWF Central Asia / Governo do Cazaquistão
01/03/2026 às 04h00
Cazaquistão planta 37 mil árvores para trazer tigres de volta

O rugido dos tigres está prestes a ecoar novamente nas estepes e florestas do Cazaquistão, quebrando um silêncio que já dura mais de sete décadas. Os últimos tigres-caspianos desapareceram da região no final dos anos 1940, vítimas da caça predatória e da perda de habitat. Agora, em um esforço hercúleo de restauração ecológica, o governo cazaque, com apoio da WWF e da ONU, está replantando florestas inteiras para receber os novos moradores.

Somente no último ano, 37 mil mudas de salgueiros, choupos e oliveiras-do-paraíso foram plantadas nas margens do Lago Balkhash, o 15º maior do mundo. Esse projeto faz parte de uma iniciativa verde massiva que já plantou 1,4 bilhão de árvores desde 2021, com a meta ousada de atingir 2 bilhões até 2027.

O retorno dos "Reis da Ásia"

Para que os tigres sobrevivam, eles precisam de mais do que árvores; eles precisam de comida. O replantio em South Balkhash serve como base para o retorno de herbívoros como javalis e o cervo-de-bukhara, que já começaram a ser vistos forrageando nas áreas restauradas.

A estratégia de reintrodução é dividida em duas frentes:

  • Reprodução em cativeiro: Dois tigres-de-amur (Bodhana e Kuma) já vivem em recintos na Reserva Natural Ile-Balkhash. Eles não serão soltos, mas seus filhotes serão os pioneiros da nova linhagem selvagem.

  • Transferência de tigres selvagens: A grande expectativa para 2026 é a chegada dos primeiros tigres capturados diretamente na natureza russa. O tigre-de-amur é geneticamente quase idêntico ao extinto tigre-caspiano, o que o torna o substituto perfeito.

Segurança e coexistência

Reintroduzir o maior felino do mundo em uma região habitada por humanos é um desafio de alto risco. Para evitar ataques a rebanhos e garantir a paz com as comunidades locais, o projeto criou uma unidade especial de monitoramento.

Equipados com coleiras de satélite e equipes de patrulha constante, os especialistas podem detectar se um tigre está se aproximando de assentamentos antes mesmo que o contato ocorra. Além disso, o governo planeja um esquema de compensação financeira para moradores que venham a perder gado, além de oferecer subsídios para o ecoturismo, transformando o predador em uma fonte de renda e orgulho nacional.

O sucesso da missão em 2026 marcará uma das maiores vitórias da conservação moderna, provando que, com investimento e paciência, é possível desfazer os erros do passado e devolver a natureza ao seu equilíbrio original.


Tigres / Cazaquistão / Meio Ambiente / WWF / Reflorestamento / Espécies Extintas / Lago Balkhash / Conservação / Rússia / Vida Selvagem

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