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Tragédia em Minas Gerais expõe o rosto do racismo ambiental no Brasil

Eventos climáticos extremos na Zona da Mata atingem majoritariamente populações negras e periféricas; organização CRIOLA denuncia a falta de recortes de raça e gênero nas políticas públicas de prevenção

Redação
Por: Redação Fonte: Organização CRIOLA
28/02/2026 às 17h48 Atualizada em 28/02/2026 às 18h09
Tragédia em Minas Gerais expõe o rosto do racismo ambiental no Brasil

As recentes e devastadoras chuvas em Minas Gerais, com foco na Zona da Mata e cidades como Juiz de Fora, não são apenas "fatalidades da natureza". Para especialistas e movimentos sociais, como a organização CRIOLA, esses eventos revelam a engrenagem do racismo ambiental: a distribuição desigual dos riscos, onde a população negra e de baixa renda é empurrada para as áreas mais vulneráveis e menos assistidas pelo Estado.

Minas Gerais lidera hoje o ranking nacional de cidades suscetíveis a desastres, com 283 municípios mapeados e mais de 1,4 milhão de pessoas vivendo em áreas de risco geo-hidrológico. Historicamente, o vácuo de políticas habitacionais no pós-abolição forçou a população negra a ocupar encostas e várzeas, territórios que hoje sofrem com o déficit crônico de saneamento, drenagem e contenção.

Mulheres negras na linha de frente

A crise climática tem gênero e cor. Como principais chefes de família e responsáveis pelo trabalho de cuidado, as mulheres negras enfrentam de forma desproporcional as consequências das enchentes.

  • Sobrecarga: Interrupção de renda e aumento do trabalho doméstico após as perdas.

  • Insegurança: Maior exposição à fome e a violências em abrigos ou áreas devastadas.

  • Invisibilidade: A falta de dados oficiais detalhados por raça e gênero dificulta a criação de auxílios específicos para esse grupo.

“Não é desastre natural: é a intensificação do racismo que transforma o clima em mais injustiça para quem já vive na linha de frente da desigualdade”, afirma Letícia Ramos, da coordenação de justiça climática da CRIOLA.

Propostas para o futuro: A Agenda 2025

Para enfrentar esse cenário, a CRIOLA lançou a "Agenda das Mulheres Negras: Construindo o Futuro com Justiça Climática". O manifesto exige que o Estado pare de investir apenas em modelos que degradam o meio ambiente, como o agronegócio predatório, e foque em:

  1. Regularização Fundiária: Garantia de permanência e moradia digna.

  2. Infraestrutura Periférica: Investimento pesado em drenagem e arborização em favelas.

  3. Dados Desagregados: Coleta de estatísticas que identifiquem cor e gênero das vítimas para orientar orçamentos.

  4. Reparação Histórica: Medidas que reconheçam o legado de exclusão territorial.

O enfrentamento à crise climática no Brasil só será eficaz quando deixar de ser visto apenas como uma questão biológica e passar a ser tratado como uma questão de justiça racial e territorial.


 

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