Quinta, 08 de Outubro de 2026
20°C 31°C
Brasília, DF

Afinal, quando deixamos de ser jovens para virar adultos?

A ciência define as fases da vida por critérios biológicos e cronológicos, mas novos estudos sugerem que a maturidade real depende de marcos psicológicos e sociais

Redação
Por: Redação Fonte: The New Yorker / Annals of Inquiry / Psychology Today
01/03/2026 às 02h00
Afinal, quando deixamos de ser jovens para virar adultos?

Casar, comprar uma casa ou completar 18 anos. Para muitos, esses eram os carimbos definitivos no passaporte da vida adulta. No entanto, um movimento crescente na psicologia moderna questiona se essas caixas ainda fazem sentido em 2026. A sensação de "estar em uma nova fase" raramente coincide com a assinatura de um contrato de hipoteca ou com a troca de alianças no altar.

Recentemente, pesquisadores como Jeffrey Jensen Arnett e Clare Mehta propuseram novas divisões para o que antes chamávamos apenas de "maioridade". O conceito de Adolescência Emergente (dos 18 aos 29 anos) e a recém-criada Adolescência Estabelecida (dos 30 aos 45 anos) tentam mapear o caos de uma geração que demora mais para sair da escola, casar e estabilizar a carreira.

O "Cabo de Guerra" de Erik Erikson

Para entender onde estamos, a ciência frequentemente recorre ao psicólogo Erik Erikson. Ele dividiu a vida em oito estágios, cada um definido por um conflito central. Na casa dos 20 e 30 anos, vivemos o embate entre Intimidade e Isolamento. Já a partir dos 40, entramos na fase da Generatividade, onde o foco é deixar um legado para o mundo, seja através de filhos, arte ou trabalho.

No entanto, o corpo humano também impõe suas próprias regras. Biólogos apontam que, por volta dos 44 e 60 anos, passamos por ondas de mudanças moleculares drásticas que aumentam o risco de doenças. É como se a biologia desse um ultimato, enquanto a nossa mente ainda tenta entender se "brincar de pinball por oito horas" nos torna menos adultos.

Marcos psicológicos superam os financeiros

Um estudo de 2024 com mais de 17 mil pessoas revelou um dado surpreendente: apenas 25% dos entrevistados citaram o casamento ou ter filhos como o marco da vida adulta. A maioria definiu o "ser adulto" através de três pilares fundamentais:

  • Autorresponsabilidade: Aceitar as consequências das próprias ações.

  • Independência Financeira: Pagar as próprias contas de subsistência.

  • Gestão Emocional: Ter paciência, empAitia e saber gerir crises internas.

Essa mudança de percepção reflete uma sociedade onde o "adulto" não é mais um status fixo e universal, mas uma narrativa pessoal que construímos. A vida não é mais um conjunto de blocos de montar empilhados de forma linear; ela se assemelha mais a um carrossel de experiências onde as fases se sobrepõem.

O fim da crise de meia-idade?

Enquanto historiadores dividem o tempo em séculos e eras, nós dividimos nossas vidas em décadas. O interessante é que, em 2026, a famosa "crise de meia-idade" parece estar perdendo força. Com os jovens enfrentando níveis de infelicidade sem precedentes, entrar na maturidade estabelecida tem sido visto como um porto seguro, um momento de maior clareza e menos mistério sobre as interações humanas.

No fim das contas, a transição entre o jovem e o adulto é mais fluida do que as leis ou os exames de sangue sugerem. Como diz o psicólogo Dan McAdams, a vida é uma história que contamos a nós mesmos. E, nessa história, o protagonista pode ser um dono de empresa de 45 anos que ainda joga pinball, mas que assume total responsabilidade por quem ele escolheu ser.


Vida Adulta / Psicologia / Erik Erikson / Maturidade / Desenvolvimento Humano / Crise de Meia Idade / Comportamento / Sociedade / Independência / Biologia

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários
Foto: Letícia Longo/ Comunicação Poli-USP
Sociedade Há 1 hora

Limites de velocidade influenciam a percepção nas ruas

Pesquisa promovida pela Fundación Mapfre e Poli-USP utiliza inteligência artificial (IA) e psicologia comportamental para levantar percepções dos condutores sobre limites de velocidade e o que leva a atitudes de risco no trânsito.

Assessoria Instituto Senders
Sociedade Há 1 hora

Senders chega a 77 mil refeições e mira novos horizontes

Em Camboriú e região, o Instituto Senders transforma doações e voluntariado em oportunidades. Entre fevereiro e agosto de 2026, foram mais de 77 mil refeições realizadas, alimentos distribuídos, atendimentos de saúde e ações de apoio educacional e...

Divulgação/Fortmetal
Sociedade Há 2 horas

Marco do saneamento exige avanço na infraestrutura

Com metas de universalização previstas para 2033, o Marco Legal do Saneamento amplia a necessidade de investimentos e capacidade de execução no país. Para a Fortmetal, que atua com soluções para armazenamento de água e saneamento, o desafio é tran...

Crédito: Divulgação Grupo Zelo
Sociedade Há 2 horas

Planejar a própria despedida entra em debate no país

O caso do advogado sul-mato-grossense Tiago Pitthan, que organizou a própria cerimônia antes de morrer, recolocou a finitude em discussão. Especialista do Grupo Zelo explica como antecipar escolhas e reforça a importância de conversar sobre o tema...

Pexels
Sociedade Há 2 horas

Enem PPL 2026: inscrições estão abertas até 23 de outubro

Cadastro para o Enem PPL é gratuito e deve ser feito pelo responsável pedagógico da unidade prisional ou socioeducativa

Brasília, DF
30°
Tempo limpo
Mín. 20° Máx. 31°
29° Sensação
16.67 km/h Vento
30% Umidade
0% (0mm) Chance chuva
05h48 Nascer do sol
18h09 Pôr do sol
Sexta
32° 21°
Sábado
33° 22°
Domingo
34° 23°
Segunda
35° 25°
Terça
34° 26°
Publicidade
Publicidade
Publicidade
Economia
Dólar
R$ 5,01 -0,26%
Euro
R$ 5,61 -0,09%
Peso Argentino
R$ 0,00 +0,00%
Bitcoin
R$ 432,617,77 -2,13%
Ibovespa
207,052,48 pts 1.35%
Publicidade
Publicidade
Enquete
Nenhuma enquete cadastrada
Publicidade
Lenium - Criar site de notícias