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O custo invisível da IA: data centers podem dobrar consumo de energia até 2026

Avanço da Inteligência Artificial no Brasil exige infraestrutura equivalente a 16 milhões de casas; Marco Legal e novos incentivos fiscais tentam equilibrar inovação e sustentabilidade

Redação
Por: Redação Fonte: FI Group / IEA / Aneel / Brasscom / BNDES
01/03/2026 às 14h00
O custo invisível da IA: data centers podem dobrar consumo de energia até 2026

O crescimento exponencial da Inteligência Artificial (IA) trouxe à tona um dilema logístico global: como alimentar os servidores que sustentam essa tecnologia? Segundo o relatório da Agência Internacional de Energia (IEA), a demanda global por eletricidade dos data centers pode mais que duplicar até o final de 2026.

No Brasil, o cenário é impactante. Estima-se que apenas os quatro primeiros complexos de data centers voltados exclusivamente para IA no país consumam tanta energia quanto 16,4 milhões de residências. Esse fenômeno é impulsionado não apenas pela IA, mas também pela mineração de criptomoedas e pela migração em massa de sistemas corporativos para a nuvem.

Desafios Estruturais e Sustentabilidade

Embora o Brasil possua uma matriz energética predominantemente renovável (um forte atrativo para Big Techs que buscam neutralizar sua pegada de carbono), a infraestrutura de transmissão ainda é um gargalo. O Nordeste, por exemplo, concentra 93% da energia eólica do país, mas sofre com a capacidade insuficiente de escoamento dessa energia para os centros de processamento.

Além da eletricidade, os data centers enfrentam questões éticas e ambientais:

  • Resíduos: Descarte de hardware e componentes tecnológicos.

  • Resfriamento: Necessidade de sistemas modernos para evitar o superaquecimento, que consomem grandes volumes de água e energia.

  • Segurança Jurídica: O Projeto de Lei 2.338/2023 (Marco Legal da IA) busca definir parâmetros éticos e integrar os data centers à cadeia energética nacional.

Incentivos Fiscais: O programa Redata e a Lei do Bem

Para não estagnar a inovação por falta de energia ou tecnologia, o governo brasileiro lançou em setembro de 2025 o Redata, parte da Política Nacional de Data Centers. O programa oferece isenção de PIS/Pasep, COFINS e IPI na compra de equipamentos, exigindo em troca que 10% da capacidade de processamento seja destinada ao mercado nacional.

Outras ferramentas de fomento incluem:

  • Lei do Bem: Permite que empresas no Lucro Real deduzam investimentos em Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I).

  • Lei de TICs: Focada em fabricantes de componentes eletrônicos e automação.

  • Financiamentos (Finep e BNDES): Linhas de crédito com juros atrativos para modernização de maquinário e expansão de infraestrutura.

Para Laís Leoncini e Gabriel Sassi, especialistas do FI Group, a consultoria em incentivos fiscais é o caminho para que empresas do setor de energia e tecnologia garantam segurança jurídica e aproveitem essas políticas para sustentar o crescimento da IA no Brasil de forma competitiva.


Data Centers / Inteligência Artificial / Energia Elétrica / Sustentabilidade / Redata / Lei do Bem / Marco Legal da IA / Eficiência Energética / Brasil / Tecnologia

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