
O crescimento exponencial da Inteligência Artificial (IA) trouxe à tona um dilema logístico global: como alimentar os servidores que sustentam essa tecnologia? Segundo o relatório da Agência Internacional de Energia (IEA), a demanda global por eletricidade dos data centers pode mais que duplicar até o final de 2026.
No Brasil, o cenário é impactante. Estima-se que apenas os quatro primeiros complexos de data centers voltados exclusivamente para IA no país consumam tanta energia quanto 16,4 milhões de residências. Esse fenômeno é impulsionado não apenas pela IA, mas também pela mineração de criptomoedas e pela migração em massa de sistemas corporativos para a nuvem.
Embora o Brasil possua uma matriz energética predominantemente renovável (um forte atrativo para Big Techs que buscam neutralizar sua pegada de carbono), a infraestrutura de transmissão ainda é um gargalo. O Nordeste, por exemplo, concentra 93% da energia eólica do país, mas sofre com a capacidade insuficiente de escoamento dessa energia para os centros de processamento.
Além da eletricidade, os data centers enfrentam questões éticas e ambientais:
Resíduos: Descarte de hardware e componentes tecnológicos.
Resfriamento: Necessidade de sistemas modernos para evitar o superaquecimento, que consomem grandes volumes de água e energia.
Segurança Jurídica: O Projeto de Lei 2.338/2023 (Marco Legal da IA) busca definir parâmetros éticos e integrar os data centers à cadeia energética nacional.
Para não estagnar a inovação por falta de energia ou tecnologia, o governo brasileiro lançou em setembro de 2025 o Redata, parte da Política Nacional de Data Centers. O programa oferece isenção de PIS/Pasep, COFINS e IPI na compra de equipamentos, exigindo em troca que 10% da capacidade de processamento seja destinada ao mercado nacional.
Outras ferramentas de fomento incluem:
Lei do Bem: Permite que empresas no Lucro Real deduzam investimentos em Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I).
Lei de TICs: Focada em fabricantes de componentes eletrônicos e automação.
Financiamentos (Finep e BNDES): Linhas de crédito com juros atrativos para modernização de maquinário e expansão de infraestrutura.
Para Laís Leoncini e Gabriel Sassi, especialistas do FI Group, a consultoria em incentivos fiscais é o caminho para que empresas do setor de energia e tecnologia garantam segurança jurídica e aproveitem essas políticas para sustentar o crescimento da IA no Brasil de forma competitiva.
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