
A Promotoria de Justiça de Defesa do Consumidor (Prodecon) do MPDFT formalizou, neste início de 2026, uma denúncia contundente contra seis líderes da G44 Brasil. O grupo é acusado de arquitetar um esquema de estelionato e lavagem de capitais que deixou um rastro de prejuízo estimado em mais de R$ 1 bilhão. Operando a partir de um escritório em Taguatinga (DF), a organização atraiu milhares de investidores em oito estados brasileiros com promessas de rendimentos irreais de até 11,5% ao mês.
A denúncia detalha que, enquanto os investidores amargavam perdas, os líderes do grupo ostentavam luxo. Entre os bens adquiridos com o dinheiro das vítimas estão veículos de R$ 600 mil, relógios de alto padrão e uma mansão de R$ 2,6 milhões em Goiânia, paga parcialmente em dinheiro vivo para dificultar o rastreio.
Para conferir uma aura de legitimidade ao negócio, os criminosos alegavam que os lucros vinham da mineração de ouro e pedras preciosas. A quadrilha chegava a organizar visitas guiadas a uma suposta mina em Campos Verdes (GO). No entanto, o Ministério Público foi enfático: a G44 operava um Esquema Ponzi.
“O esquema consistia na permuta de dinheiro mediante o recrutamento contínuo de novos participantes, sem qualquer entrega de produto real”, aponta a denúncia do promotor Paulo Roberto Binicheski.
O dinheiro dos novos entrantes era usado para pagar os antigos, mantendo a ilusão através de cartões pré-pagos (Zen Card). Quando o fluxo de novos "sócios-cotistas" secou, em novembro de 2019, os pagamentos pararam e os líderes passaram a alegar que "todo contrato trazia riscos", negando o ressarcimento às vítimas.
A organização possuía uma estrutura hierárquica sofisticada, dividida em núcleos de comando, captação, operações financeiras e dissimulação de valores. Mesmo após a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) suspender as atividades da empresa em 2018, o grupo alterou seu objeto social para atuar como holding e continuou captando recursos ilegalmente.
Os líderes denunciados:
Saleem Ahmed Zaheer: Apontado como o mentor e presidente.
Joselita de Brito Escobar: Vice-presidente e peça-chave no núcleo de comando.
Embora a Justiça Federal já tenha condenado os cabeças do esquema em 2024 por crimes contra o sistema financeiro, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu que o julgamento do golpe e da organização criminosa cabe à Justiça Estadual.
Com isso, o MPDFT agora busca não apenas a prisão dos envolvidos por lavagem de ativos, mas o confisco total de bens e o pagamento de uma indenização de R$ 1 bilhão para tentar reparar o dano causado às famílias lesadas.
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