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MPDFT denuncia cúpula da G44 por golpe de R$ 1 bilhão

Organização criminosa operava esquema de pirâmide Ponzi a partir de Taguatinga; Promotoria pede indenização bilionária e condenação por lavagem de dinheiro

Redação
Por: Redação Fonte: MPDFT / Prodecon / CVM / STJ
02/03/2026 às 01h00
MPDFT denuncia cúpula da G44 por golpe de R$ 1 bilhão

A Promotoria de Justiça de Defesa do Consumidor (Prodecon) do MPDFT formalizou, neste início de 2026, uma denúncia contundente contra seis líderes da G44 Brasil. O grupo é acusado de arquitetar um esquema de estelionato e lavagem de capitais que deixou um rastro de prejuízo estimado em mais de R$ 1 bilhão. Operando a partir de um escritório em Taguatinga (DF), a organização atraiu milhares de investidores em oito estados brasileiros com promessas de rendimentos irreais de até 11,5% ao mês.

A denúncia detalha que, enquanto os investidores amargavam perdas, os líderes do grupo ostentavam luxo. Entre os bens adquiridos com o dinheiro das vítimas estão veículos de R$ 600 mil, relógios de alto padrão e uma mansão de R$ 2,6 milhões em Goiânia, paga parcialmente em dinheiro vivo para dificultar o rastreio.

Mina de "esmeraldas" e o Esquema Ponzi

Para conferir uma aura de legitimidade ao negócio, os criminosos alegavam que os lucros vinham da mineração de ouro e pedras preciosas. A quadrilha chegava a organizar visitas guiadas a uma suposta mina em Campos Verdes (GO). No entanto, o Ministério Público foi enfático: a G44 operava um Esquema Ponzi.

“O esquema consistia na permuta de dinheiro mediante o recrutamento contínuo de novos participantes, sem qualquer entrega de produto real”, aponta a denúncia do promotor Paulo Roberto Binicheski.

O dinheiro dos novos entrantes era usado para pagar os antigos, mantendo a ilusão através de cartões pré-pagos (Zen Card). Quando o fluxo de novos "sócios-cotistas" secou, em novembro de 2019, os pagamentos pararam e os líderes passaram a alegar que "todo contrato trazia riscos", negando o ressarcimento às vítimas.

Estrutura criminosa e "drible" na CVM

A organização possuía uma estrutura hierárquica sofisticada, dividida em núcleos de comando, captação, operações financeiras e dissimulação de valores. Mesmo após a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) suspender as atividades da empresa em 2018, o grupo alterou seu objeto social para atuar como holding e continuou captando recursos ilegalmente.

Os líderes denunciados:

  • Saleem Ahmed Zaheer: Apontado como o mentor e presidente.

  • Joselita de Brito Escobar: Vice-presidente e peça-chave no núcleo de comando.

Desdobramentos e busca por reparação

Embora a Justiça Federal já tenha condenado os cabeças do esquema em 2024 por crimes contra o sistema financeiro, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu que o julgamento do golpe e da organização criminosa cabe à Justiça Estadual.

Com isso, o MPDFT agora busca não apenas a prisão dos envolvidos por lavagem de ativos, mas o confisco total de bens e o pagamento de uma indenização de R$ 1 bilhão para tentar reparar o dano causado às famílias lesadas.


G44 Brasil / Golpe Financeiro / Pirâmide Financeira / MPDFT / Saleem Ahmed Zaheer / Estelionato / Criptomoedas / Taguatinga / Lavagem de Dinheiro / Prodecon

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