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Casos de retocolite ulcerativa avançam no Brasil

A incidência da doença aumentou na última década no país e já soma cerca de 5 milhões de casos no mundo, segundo dados recentes.

Redação
Por: Redação Fonte: Agência Dino
06/03/2026 às 16h32
Casos de retocolite ulcerativa avançam no Brasil
Freepik/gpointstudio

De acordo com o artigo "Ulcerative colitis", publicado no site PubMed, em 2023 foram registrados cerca de cinco milhões de casos de retocolite ulcerativa (RCU) em todo o mundo. Já no Brasil, segundo o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas de Retocolite Ulcerativa, houve aumento na incidência de RCU, passando de 5,7 para 6,9 casos por 100 mil habitantes ao ano na última década.

O Dr. Rodrigo Barbosa, cirurgião do aparelho digestivo e coloproctologista do Instituto Medicina em Foco, especialista em retocolite ulcerativa, explica que a doença acomete exclusivamente o intestino grosso e costuma começar no reto, podendo se estender pelo cólon. "A inflamação é predominante na mucosa, o que explica ulcerações, sangramento e alteração do hábito intestinal", acrescenta.

Ele ressalta que, ao longo do tempo, se não houver controle adequado, a inflamação persistente pode levar a complicações como anemia, desnutrição, perda de peso, necessidade de internações e aumento do risco de câncer colorretal. "É uma condição de evolução variável, com períodos de remissão e crises inflamatórias", observa.

Entre os sintomas mais comuns, o médico destaca a diarreia crônica, frequentemente com presença de sangue e muco, dor abdominal, urgência evacuatória e sensação de evacuação incompleta. De acordo com o especialista, em fases mais intensas pode haver febre, fadiga importante e perda de peso.

"Muitos pacientes desenvolvem receio de sair de casa por medo de crises súbitas, apresentam queda de produtividade profissional e sofrem impacto emocional relevante. A doença afeta não apenas o intestino, mas também a saúde mental e social do paciente"

Doença atinge principalmente adultos jovens

A RCU, conforme detalha o Dr. Rodrigo, pode surgir em qualquer idade, mas é mais frequentemente diagnosticada entre o final da adolescência e os 40 anos. Há também um segundo pico de incidência após os 60 anos.

Segundo o médico, não existe um único perfil. Embora haja influência genética, fatores ambientais e alterações do sistema imunológico também desempenham papel importante. "O número de diagnósticos vem aumentando no Brasil, especialmente em adultos jovens em fase produtiva da vida", alerta.

Crises podem ser desencadeadas por estresse e interrupção do tratamento

As crises da doença podem ser desencadeadas por infecções intestinais, uso inadequado ou interrupção da medicação, estresse emocional intenso e, em alguns casos, pelo uso de anti-inflamatórios não esteroidais (que devem ser evitados por quem tem esse tipo de colite).

O Dr. Rodrigo enfatiza que, embora a doença não seja causada por uma alimentação específica, determinados alimentos podem piorar os sintomas durante as crises. "Por isso, o acompanhamento multiprofissional é fundamental. O acompanhamento com gastroenterologista e coloproctologista é essencial para manter a doença sob controle e ajustar o tratamento conforme a atividade inflamatória", reforça.

Segundo o cirurgião, pacientes com doença de longa duração apresentam maior risco de câncer colorretal, especialmente após oito a dez anos de inflamação extensa. Por isso, a realização periódica de colonoscopia com biópsias é uma estratégia fundamental de vigilância e prevenção. "Além disso, o controle adequado reduz hospitalizações, necessidade de corticoides prolongados e complicações mais graves", complementa.

Tratamento evoluiu: mais controle e menos internações

Nos casos moderados a graves, o tratamento da retocolite ulcerativa avançou e hoje existem terapias avançadas que ajudam a reduzir crises, internações e a dependência de corticoides, com impacto direto na qualidade de vida e na rotina de trabalho.

O Dr. Rodrigo, fundador do Núcleo de Doenças Inflamatórias Intestinais da Medicina em Foco (NuDii), explica que a estratégia é individualizada conforme a atividade inflamatória e a resposta ao tratamento. Nos últimos anos, novas opções ampliaram esse leque, por exemplo, o upadacitinibe — sempre com avaliação médica, monitorização e decisão compartilhada.

Quando a cirurgia é indicada?

Barbosa afirma que a cirurgia é indicada quando há falha do tratamento clínico ou complicações graves, como hemorragia intensa, perfuração intestinal, displasia avançada ou câncer associado. O procedimento mais comum, de acordo com o médico, é a colectomia total com reconstrução do trânsito intestinal por meio de bolsa ileal (pouch ileal), quando possível.

"Em muitos casos, a cirurgia pode representar a cura definitiva da doença inflamatória intestinal, uma vez que a retocolite ulcerativa acomete exclusivamente o cólon e o reto. Embora seja uma decisão complexa, pois essas reconstruções têm complicações importantes e devem ser evitadas se possível"

Como descobrir a retocolite ulcerativa?

Além do atendimento clínico, o Dr. Rodrigo informa que o Instituto Medicina em Foco conta com o Solare Trials, centro de pesquisa clínica que faz triagem de elegibilidade para estudos com novas medicações para a doença.

Para saber mais e falar com a equipe, basta acessar o portal do NuDii.

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