
A maior ameaça aos dados de uma empresa pode não estar em um software sofisticado de um hacker, mas na cadeira em frente ao computador. Segundo o estudo “Linguagem Digital”, da Kaspersky, a negligência com senhas é alarmante no Brasil: 40% dos funcionários afirmam nunca ter trocado a senha da rede corporativa, enquanto 37% só o fazem quando o sistema obriga formalmente.
João Brasio, CEO da Elytron CyberSecurity, alerta que senhas antigas são alvos fáceis para ataques de "força bruta", onde programas automatizados testam milhares de combinações. "Quanto mais tempo uma senha permanece ativa, mais tempo os criminosos têm para decifrá-la", explica o especialista.
O cenário em 2026 tornou-se ainda mais crítico com o uso da Inteligência Artificial pelos golpistas, que agora criam cadastros falsos e ataques de phishing muito mais convincentes. Além disso, o hábito de reutilizar a mesma senha em vários serviços amplia o estrago: se uma rede social vaza dados, o criminoso ganha a "chave mestra" para a rede da empresa.
Os prejuízos são astronômicos. O relatório "Cost of a Data Breach", da IBM, revelou que o custo médio de uma violação de dados subiu para R$ 7,19 milhões no último ano — um aumento de 6,5% em relação a 2024. Esse valor engloba multas, resgates e, principalmente, o dano à reputação da marca.
A cibersegurança deixou de ser um custo técnico para se tornar uma estratégia de sobrevivência. João Brasio recomenda três pilares fundamentais:
Autenticação em Dois Fatores (2FA): Adicionar uma camada extra (SMS ou aplicativo) é indispensável.
Treinamento Constante: Funcionários precisam ser educados para identificar golpes de engenharia social.
Gestão de Senhas: Trocas periódicas e o fim da reutilização de credenciais em plataformas distintas.
“A cibersegurança deve ser encarada como parte da estratégia de crescimento, confiança e longevidade da empresa”, conclui Brasio.
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