
O Brasil continua a ocupar uma posição de destaque no mapa global da equidade de gênero. De acordo com o relatório Women in Business 2026, da Grant Thornton, a América do Sul lidera o ranking mundial com 37% de mulheres em cargos de alta gerência (senior management).
Embora o cenário regional seja otimista, o contexto global inspira cuidados. Pela primeira vez em anos, a participação feminina no middle market mundial recuou para 32,9%. Esse dado reforça a tese de que o progresso não é linear e exige prioridade estratégica para não sofrer retrocessos. No ritmo atual, o mundo só atingirá a paridade total entre homens e mulheres na liderança no ano de 2051.
A pesquisa desmistifica a ideia de que a diversidade é apenas uma pauta institucional. Ela é, acima de tudo, uma estratégia de negócios. Os números de 2025 mostram que empresas que investem em lideranças diversas colhem resultados financeiros superiores:
73% das empresas focadas em equidade registraram crescimento de receita acima de 5%.
56,2% aumentaram seu quadro de colaboradores.
48,8% expandiram suas exportações.
“Ainda precisamos trabalhar mais e estabelecer novas metas, ou corremos o risco de que o progresso obtido se torne insustentável”, alerta Élica Martins, sócia de Auditoria da Grant Thornton Brasil. A diversidade impulsiona a inovação e torna a tomada de decisão mais assertiva em mercados competitivos.
As empresas que ignoram a pauta de gênero estão perdendo competitividade no mercado de talentos. O estudo aponta que 91,9% dos líderes consideram as políticas de igualdade ao avaliar uma nova proposta de emprego. Além disso, 26,5% das organizações já foram questionadas formalmente por investidores sobre a presença de mulheres na alta gestão.
Um movimento curioso é a migração de profissionais: 43,5% das mulheres contratadas para cargos de liderança no middle market vieram de grandes corporações (com mais de 500 funcionários), buscando empresas de médio porte que mantêm compromissos mais claros e ágeis com a inclusão.
Apesar dos avanços, o número de empresas com lideranças 100% masculinas voltou a crescer, atingindo 5,7% globalmente. O recuo em investimentos de programas de Diversidade, Equidade e Inclusão (DE&I) em algumas grandes organizações globais serve como um lembrete de que a sustentabilidade dessa agenda depende de metas mensuráveis e conectadas ao coração da estratégia organizacional.
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