
A manipulação da informação deixou de ser um problema doméstico para se tornar uma arma geopolítica. Na próxima terça-feira, 17 de março de 2026, Brasília será o palco da conferência internacional “Desinformação, Soberania e Democracia na Era da Inteligência Artificial”. O evento, realizado na sede da Fundação Getulio Vargas (FGV), marca a primeira discussão de alto nível no Brasil sobre a FIMI (Manipulação e Interferência Estrangeira da Informação).
Definido pela União Europeia como um esforço coordenado de atores externos para influenciar o debate público de outros países, o conceito de FIMI ganha urgência: apenas em 2024, foram identificados 505 incidentes desse tipo, atingindo 90 nações e utilizando uma rede de mais de 38 mil canais digitais.
Para Marco Ruediger, diretor da FGV Comunicação, a Inteligência Artificial mudou as regras do jogo. A IA generativa não apenas reduziu drasticamente os custos para criar conteúdo falso, como ampliou a escala das operações de manipulação. Agora, é possível gerar milhares de notícias falsas e vídeos manipulados (deepfakes) em segundos, dificultando a proteção da integridade dos processos políticos.
O debate contará com figuras como Marcela Ríos, ex-ministra da Justiça do Chile, que destaca: “A manipulação informacional estrangeira representa um desafio crescente para a confiança nas instituições democráticas”.
Além dos painéis abertos ao público, o encontro promove um treinamento técnico para jornalistas, fact-checkers e pesquisadores. O objetivo é ensinar metodologias de análise para identificar a origem de campanhas coordenadas e desenvolver respostas institucionais rápidas. Participam também representantes do governo brasileiro, como o Secretário de Políticas Digitais, João Brant, e assessores da AGU.
Data: 17 de março de 2026
Horário: 9h às 12h
Local: Auditório da FGV Brasília (SGAN 602, Asa Norte)
Inscrições: Gratuitas (disponíveis no site oficial da FGV)
Destaque: Tradução simultânea em inglês e português.
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