
A plataforma Escavador, referência em dados jurídicos, divulgou um levantamento alarmante sobre a realidade da violência doméstica no país ao longo de 2025. O estudo revela que foram instaurados cerca de 55 mil processos no último ano. O Distrito Federal aparece em uma posição preocupante, ocupando o 4º lugar no ranking estadual com 4.331 registros, superando estados muito mais populosos.
A amostragem indica uma predominância das regiões Nordeste (24 mil casos) e Norte (12 mil casos) na abertura dessas ações. A Bahia lidera isolada o ranking nacional, concentrando quase 10 mil processos — um número superior à soma das regiões Sul e Sudeste juntas.
Os dados mostram que a violência e a coragem de denunciar não seguem uma linha constante. O ano de 2025 começou com uma leve queda em fevereiro, mas viu os números dispararem no segundo trimestre, atingindo o pico em setembro, com 5,4 mil novos processos.
Pico: Setembro (5,4 mil)
Queda: Dezembro (3,7 mil — 31% abaixo do pico)
Segundo Dalila Pinheiro, analista jurídica do Escavador, essas variações não significam que a violência desaparece nos meses de baixa, mas reforçam a necessidade de políticas públicas contínuas. "A vulnerabilidade das mulheres não desaparece em períodos de menor registro. Estratégias de prevenção precisam ser adaptadas a cada realidade regional", explica.
| Posição | Estado | Nº de Processos |
| 1º | Bahia (BA) | 9.819 |
| 2º | Tocantins (TO) | 8.627 |
| 3º | Espírito Santo (ES) | 5.744 |
| 4º | Distrito Federal (DF) | 4.331 |
| 5º | Ceará (CE) | 3.768 |
| 6º | Alagoas (AL) | 3.741 |
| 7º | Rio de Janeiro (RJ) | 3.588 |
| 8º | Sergipe (SE) | 3.104 |
| 9º | Pará (PA) | 2.755 |
| 10º | Goiás (GO) | 2.592 |
Além de mapear o cenário nacional, o Escavador ressalta que o acesso a dados jurídicos pode ser uma medida preventiva. A plataforma permite que mulheres consultem o histórico processual de parceiros através do cruzamento de mais de 600 fontes oficiais. "Quando as mulheres têm acesso a dados, elas ganham mais uma ferramenta para tomar decisões seguras", conclui Dalila Pinheiro.
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