Segunda, 24 de Agosto de 2026
18°C 31°C
Brasília, DF
Publicidade

Pagamentos recorrentes crescem e exigem adaptação externa

Alta de 34% revela espaço para marcas que atendem consumidores brasileiros com integração a meios locais como o Pix e cartões nacionais. Pedro Souz...

Redação
Por: Redação Fonte: Agência Dino
19/03/2026 às 22h16
Pagamentos recorrentes crescem e exigem adaptação externa
Imagem de Freepik

As cobranças automáticas em intervalos previamente definidos — como mensalidades, anuidades ou serviços por assinatura — caracterizam o modelo de pagamentos recorrentes. Nesse sistema, o cliente autoriza a empresa a armazenar os dados de pagamento e a realizar débitos sucessivos conforme o cronograma acordado, dispensando novas confirmações a cada transação.

Dados da Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs), divulgados pelo Diário do Comércio, mostram que o setor de cartões movimentou R$ 1,2 trilhão no quarto trimestre de 2025 — um crescimento de 9,3% em relação ao mesmo período do ano anterior — e o volume de pagamentos recorrentes com cartão chegou a R$ 141,9 bilhões, alta de 34%.

Pedro Souza, CEO e fundador da Glin, empresa especializada em soluções de pagamentos internacionais e checkout, avalia que o crescimento do modelo de pagamento recorrente no Brasil, especialmente após a pandemia, tem sido impulsionado pela expansão de modelos de negócio baseados em assinatura e pela evolução da infraestrutura de pagamentos no país.

"A cultura de assinatura consolidou-se. Plataformas SaaS, infoprodutos, streaming e serviços de saúde digital que dependem de cobrança recorrente para garantir previsibilidade de receita e escalabilidade são fatores importantes, ao lado das soluções acessíveis de billing oferecidas por fintechs e do amadurecimento do Pix, como o avanço do Pix Automático", comenta o especialista.

De acordo com o executivo, o modelo de cobrança recorrente tem se consolidado em diferentes segmentos. O movimento é liderado pelas empresas de SaaS, seguido pela educação digital, que tem adotado a recorrência como principal modelo de monetização. Serviços de streaming e entretenimento também reforçam a cultura de assinaturas no dia a dia do consumidor brasileiro, enquanto aplicativos de mobilidade e entrega passaram a criar clubes de benefícios baseados nesse formato.

Impactos e desafios técnicos

O fundador da Glin aponta que o principal impacto estratégico do modelo recorrente para empresas que desejam previsibilidade de receita e escalabilidade é a expansão da base de clientes sem a necessidade de crescimento proporcional da estrutura operacional, devido à automação do ciclo de cobrança.

"Além disso, a empresa passa a trabalhar com métricas de receita recorrente, o que torna o planejamento financeiro mais sólido e facilita decisões de investimento e crescimento. Outro ponto importante é o aumento do lifetime value do cliente — a relação contínua gera mais receita ao longo do tempo, e manter um cliente ativo custa significativamente menos do que conquistar um novo", acrescenta o CEO.

O especialista destaca que, apesar de o ecossistema ter evoluído, os protocolos de segurança estarem mais acessíveis e as regulamentações darem mais clareza ao mercado, a implementação de sistemas automatizados de cobrança no país ainda enfrenta desafios técnicos e regulatórios, como a gestão do ciclo de vida do pagamento e dispor de criação de fluxos de cancelamento transparentes.

"O consumidor tem direito de interromper a assinatura a qualquer momento e lidar com cartões expirados, e as falhas por saldo insuficiente exigem construir uma lógica de retentativa inteligente que recupere receita sem gerar atrito com o cliente. A tokenização dos dados de cartão também é fundamental para garantir que os dados do cliente sejam armazenados e utilizados com segurança", reforça o empresário.

Souza enfatiza que, no âmbito regulatório, a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD) trouxe exigências sobre o tratamento de dados sensíveis de pagamento, e as regras do Banco Central sobre o Pix Automático ainda estão amadurecendo, o que exige atenção constante das empresas que operam nesse espaço, segundo ele.

Tendências no Brasil

Para o CEO da Glin, a primeira tendência a transformar o cenário de pagamentos recorrentes no Brasil nos próximos anos é o Pix Automático — modalidade anunciada pelo Banco Central (BC) em 2025, que permite débitos recorrentes via Pix com autorização prévia do consumidor. Para ele, a ferramenta tem potencial de reduzir drasticamente a fricção e a inadimplência.

"Outra tendência relevante é o uso de inteligência artificial (IA) na orquestração de cobranças, permitindo que o sistema escolha automaticamente o meio de pagamento com maior probabilidade de aprovação a cada ciclo, reduzindo o churn involuntário — perda do cliente por falhas de pagamento ou motivos que não envolvem decisão de cancelamento", afirma Souza.

O empresário também identifica uma expansão do modelo cross-border — operações de pagamento entre países —, com cada vez mais empresas internacionais buscando cobrar de forma recorrente no Brasil usando meios de pagamento locais como Pix e cartão nacional.

"O Brasil tem especificidades que tornam inviável simplesmente replicar modelos internacionais; por isso, é fundamental estruturar sistemas de pagamento recorrente adaptados. Esse movimento ainda está no começo, e as empresas que se posicionarem agora com infraestrutura adaptada à realidade brasileira podem ter uma vantagem competitiva relevante", observa o CEO.

Conforme analisa o executivo, o brasileiro está acostumado a pagar por Pix e a parcelar no cartão. Segundo ele, embora um pagamento recorrente seja naturalmente parcelado ao longo dos meses, a experiência precisa refletir os meios de pagamento locais. "A maioria da população não possui cartão de crédito internacional; oferecer apenas um gateway internacional exclui uma parcela enorme do mercado".

Souza ressalta que, para empresas estrangeiras que vendem para o Brasil, há ainda a camada de câmbio e liquidação — receber em reais, converter e repatriar a receita — que exige uma infraestrutura financeira adaptada à realidade local.

"Sem isso, a empresa fica refém de soluções genéricas que não entregam conversão real no mercado brasileiro. Isso reforça a necessidade de soluções construídas de dentro para fora, não de fora para dentro", finaliza o CEO.

Para mais informações, basta acessar: glin.com.br/

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários
Divulgação - GFT Technologies
Tecnologia Há 5 horas

GFT leva novo ecossistema corporativo de IA ao FEBRABAN TECH

Após modernizar mais de 100 milhões de linhas de código legado, ecossistema evolui para integrar criação de agentes inteligentes, governança corporativa, gestão financeira da IA e modernização de sistemas críticos em uma arquitetura aberta e agnós...

Imagem ilustrativa/Magnific
Tecnologia Há 7 horas

Energia solar poderá abastecer o transporte de São Paulo

Além de gerar economia na conta de luz de residências e empresas, a energia solar poderá fazer parte da rotina dos paulistanos nos terminais de ônibus da capital.

Imagem gerada por ChatGPT
Tecnologia Há 9 horas

Produção local e API atraem empresas promocionais de fora

Diante do custo de importar e de operar no país, empresas de materiais promocionais do exterior passaram a usar fábricas brasileiras integradas por API para vender no mercado nacional sem estoque nem estrutura própria.

Divulgação/Shutterstock
Tecnologia Há 10 horas

WhatsApp impulsiona estratégia conversacional nas empresas

O estudo da RD Station, operação da TOTVS, mostra que 74% dos times de Marketing e 75% de Vendas já utilizam o app de forma estratégica, apoiando o primeiro contato com potenciais clientes

Person Consultoria feito por IA
Tecnologia Há 11 horas

Reforma tributária altera consumo e exige ajustes

A reforma tributária sobre consumo no Brasil institui o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e o Imposto Seletivo (IS), substituindo tributos como PIS, Cofins, ICMS e ISS. A mudança, prevista para ocorrer...

Brasília, DF
20°
Tempo nublado
Mín. 18° Máx. 31°
20° Sensação
6.69 km/h Vento
73% Umidade
0% (0mm) Chance chuva
06h23 Nascer do sol
18h05 Pôr do sol
Terça
31° 22°
Quarta
32° 22°
Quinta
34° 23°
Sexta
35° 23°
Sábado
35° 24°
Publicidade
Publicidade
Publicidade
Economia
Dólar
R$ 5,16 +0,02%
Euro
R$ 6,01 +0,02%
Peso Argentino
R$ 0,00 +0,00%
Bitcoin
R$ 435,658,64 +0,95%
Ibovespa
171,906,72 pts 0.51%
Publicidade
Publicidade
Enquete
Nenhuma enquete cadastrada
Publicidade
Lenium - Criar site de notícias